A Polícia Civil de São Paulo chamou a atenção para um golpe que utiliza inteligência artificial para reproduzir a voz de vítimas. A estratégia costuma começar por meio das chamadas “ligações mudas”. Depois, criminosos usam os áudios para tentar enganar familiares e conhecidos.
Segundo as autoridades, essas ligações normalmente são feitas por números desconhecidos ou privados. Quando a pessoa atende, do outro lado da linha permanece apenas o silêncio. O objetivo é obter trechos da voz para alimentar ferramentas de clonagem por inteligência artificial.
Tecnologia amplia o potencial das fraudes
Especialistas explicam que os sistemas de IA conseguem copiar timbre, ritmo e até a entonação da fala. Com o avanço dessas tecnologias, a quantidade de áudio necessária para gerar uma imitação tende a diminuir. Isso aumenta o risco de golpes cada vez mais convincentes.
Depois de criar uma versão artificial da voz, os criminosos entram em contato com amigos ou parentes da vítima. Eles simulam situações de emergência, como acidentes, sequestros ou problemas financeiros. O intuito é pressionar por transferências bancárias em pouco tempo.
O professor Gustavo Torrente, da FIAP, destaca que atualmente ainda são necessários trechos relativamente maiores para obter um bom resultado. No entanto, ele alerta que a evolução da inteligência artificial é constante. Em pouco tempo, poucos segundos de gravação poderão ser suficientes.

Recomendações para evitar prejuízos
A Polícia Civil orienta que chamadas de números desconhecidos sejam tratadas com cautela. Caso a ligação seja atendida, a conversa deve ser encerrada rapidamente. O delegado Paulo Eduardo Pereira recomenda desligar imediatamente se houver qualquer suspeita.
Também é importante evitar informar dados pessoais ou dizer o nome completo durante ligações inesperadas. Caso alguém peça dinheiro usando uma voz conhecida, a orientação é confirmar a identidade por outro meio. Perguntas que apenas a pessoa verdadeira saberia responder ajudam a impedir a fraude.









