A trajetória de Josimar José Évora Dias, conhecido mundialmente como Vozinha, ganhou um novo capítulo após a Copa do Mundo de 2026. O goleiro de 40 anos desembarcou no Chile cercado de expectativa. Em poucos dias, sua chegada já provocou uma alteração inédita nas regras do futebol local.
Durante o Mundial, o arqueiro de Cabo Verde chamou atenção pelas atuações diante de grandes seleções. Ele ajudou sua equipe a empatar sem gols com a Espanha e também foi decisivo contra a Argentina. O desempenho surpreendeu torcedores e transformou um atleta pouco conhecido em destaque internacional.
Apelido virou símbolo da própria história
O nome estampado na camisa representa muito mais do que um apelido esportivo. Vozinha recebeu essa forma de ser chamado ainda na infância, quando vivia em Mindelo, em Cabo Verde. Criado pelos avós, ele passou a carregar o apelido como uma homenagem à família que participou de sua formação.
A origem surgiu de uma brincadeira entre amigos durante partidas nas ruas. Sempre que perdia para colegas mais velhos, ouviam-se provocações para que ele fosse reclamar com a avó. Com o passar dos anos, a expressão deixou de ser motivo de brincadeira e passou a representar carinho, memória e gratidão.
Quando acertou sua transferência para o Colo-Colo, surgiu um desafio inesperado. O regulamento da liga chilena não permitia que jogadores utilizassem apelidos nas camisas. A restrição impediria que o goleiro mantivesse justamente a identidade pela qual ficou conhecido no cenário internacional.

Clubes aprovaram exceção por unanimidade
O Colo-Colo decidiu defender o pedido junto à Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile. A solicitação foi levada aos demais clubes da elite nacional. Os 15 participantes da primeira divisão aprovaram, de forma unânime, uma exceção para que Vozinha pudesse utilizar seu apelido oficialmente.
A decisão acabou criando um marco para o futebol chileno ao reconhecer a importância da história pessoal do atleta. O gesto também valorizou trajetórias familiares semelhantes, especialmente de pessoas criadas pelos avós. Assim, o nome nas costas da camisa passou a representar uma conquista coletiva.









