O telescópio espacial Nancy Grace Roman chama atenção por uma origem incomum. Seu espelho principal foi desenvolvido originalmente para um programa de vigilância terrestre do Pentágono, mas o equipamento foi posteriormente transferido à NASA. Isso não significa que a missão atual tenha objetivo de monitorar pessoas ou territórios.
Espelho que veio de um antigo projeto secreto
O espelho do Roman possui 2,4 metros de diâmetro, exatamente a mesma medida do componente principal do Hubble. A diferença está no sistema de observação, já que o novo telescópio terá um campo de visão muito mais amplo. Com isso, poderá registrar grandes regiões do Universo em uma única observação.
O equipamento herdado foi originalmente planejado pelo Escritório Nacional de Reconhecimento dos Estados Unidos, conhecido como NRO. A intenção era criar satélites capazes de observar a superfície terrestre com alta resolução. Após o cancelamento do projeto, dois telescópios foram entregues à NASA em 2012.
Roman terá campo de visão gigantesco
A agência espacial adaptou um deles para uma missão completamente científica. O Roman foi equipado com instrumentos desenvolvidos para investigar galáxias, estrelas, exoplanetas e outros fenômenos cósmicos. Portanto, apesar da origem militar do espelho, o telescópio não será direcionado para espionagem de brasileiros.
O principal destaque do Roman será sua capacidade de observar uma área do céu muito maior que o Hubble. Seu instrumento WFI poderá registrar uma região aproximadamente 140 vezes mais ampla que a câmera infravermelha usada pelo telescópio mais antigo. A expectativa é produzir enormes volumes de dados.

Telescópio vai mapear o Universo
A missão também terá um coronógrafo capaz de bloquear a luz intensa de estrelas. Essa tecnologia permitirá tentar obter imagens diretas de planetas gigantes próximos. O desenvolvimento desse método pode contribuir futuramente para a busca de mundos rochosos semelhantes à Terra.
O Roman deverá operar por pelo menos cinco anos, com possibilidade de extensão. Ele será colocado próximo a um ponto de Lagrange localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. A posição facilita as observações e também é utilizada pelo James Webb.









