Uma campanha que circula nas redes sociais utiliza um vídeo atribuído a um suposto padre para solicitar doações por Pix. A gravação apresenta sinais de manipulação digital. A suspeita aumentou após uma análise identificar movimentos pouco naturais na boca durante a fala.
A investigação levou à realização de um teste com o código Pix divulgado na campanha. O pagamento direcionava os valores para a empresa Gestão Solidar Digital LTDA, registrada em Florianópolis. Os dados levantados não indicavam uma paróquia como destinatária das contribuições.
Doações não chegam a uma paróquia
A arrecadação é divulgada por meio de um site chamado “Ande com Padre Mateus”. Segundo os registros analisados, os pagamentos seriam intermediados pela fintech Cartwave. Também foram encontradas relações com outras empresas e informações cadastrais que levantaram questionamentos.
Tentativas de contato com os telefones vinculados às empresas não tiveram sucesso. Os pedidos de esclarecimento enviados por email também não haviam recebido resposta até a publicação da apuração. O caso evidencia como campanhas falsas podem utilizar estruturas aparentemente profissionais para convencer potenciais doadores.
Vídeos de IA dificultam identificação
Especialistas alertam que conteúdos produzidos por inteligência artificial estão cada vez mais realistas. Até mesmo pessoas habituadas a identificar materiais manipulados podem ter dificuldade diante de uma falsificação sofisticada. Por isso, vídeos emocionais não devem ser suficientes para motivar uma transferência.
Quando uma campanha é atribuída a um padre, igreja ou instituição religiosa, a recomendação é confirmar sua existência diretamente com a diocese ou arquidiocese. Também é importante conferir quem aparece como beneficiário no Pix. Divergências entre a identidade divulgada e o destinatário são um sinal de alerta.

O que fazer após uma transferência
A utilização de inteligência artificial para enganar vítimas pode caracterizar fraude eletrônica, conforme as circunstâncias. O crime é uma modalidade de estelionato com pena que pode chegar a oito anos de prisão, além de multa. Dados de terceiros também podem aparecer sem que essas pessoas participem conscientemente do esquema.









