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Pesquisa analisa a temática da sustentabilidade no Ensino Superior

Duzentos mil anos atrás, surgia no planeta uma nova espécie animal, conhecida hoje como ser humano. Desde então, esse animal destruiu 46% das árvores que cobriam a Terra. Pelo nível de desmatamento registrado atualmente, daqui a míseros 300 anos todas as árvores desaparecerão do planeta. Os humanos também são responsáveis pela destruição de 83% dos mamíferos selvagens. Só nos últimos 40 anos, 784 espécies de animais foram extintas devido à ação do homem.

Ao destruir a natureza, o ser humano também se mata. Estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 13 de março de 2019 aponta que um quarto das mortes prematuras e das doenças que proliferam atualmente no mundo estão relacionadas à poluição e a outros danos ao meio ambiente provocados pelo homem. Segundo a ONU, a poluição do ar mata entre 6 e 7 milhões de pessoas por ano. Já a falta de acesso à água potável mata 1,4 milhão de pessoas a cada ano devido a doenças que poderiam ser evitadas, como diarreias.

 

A pesquisadora Daniele Tomaz indica necessidade de revisão dos projetos pedagógicos para inclusão do tema. Crédito: Paulo Ribeiro/Arquivo-Uniso

Mas como o ser humano pode interagir com a natureza para satisfazer suas necessidades sem comprometer os recursos naturais das gerações futuras? A resposta é: sustentabilidade, englobando os quatro fatores que encerram este conceito, ou seja, ações ambientalmente equilibradas, culturalmente aceitas, economicamente viáveis e socialmente justas.

“O desenvolvimento sustentável é, ou deveria ser, a maior busca de toda a humanidade, tendo em vista que ao exaurir os recursos naturais estaremos decretando nossa própria sentença de morte. Se nós não nos tornarmos sustentáveis, estamos nos fadando à extinção”, afirma Daniele Tomaz, pesquisadora da área da Educação.

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Coordenadora de ensino superior do Senac Sorocaba, Tomaz conta que ficou incomodada ao ver que seus alunos de pós-graduação e extensão universitária não praticavam ações sustentáveis. Inconformada com essa realidade, ela decidiu pesquisar como a sustentabilidade é abordada nos cursos de educação superior.

“Quando ingressei no Mestrado em Educação na Uniso, meu orientador, o professor Waldemar Marques, me perguntou se havia alguma questão que me inquietava. E a pergunta que me inquietava profundamente era: ‘Por que a educação não está cumprindo seu papel de formação integral, transformando a todos de forma indistinta em seres que pensem e ajam sustentavelmente?’”, conta Tomaz.

Da inquietação da pesquisadora resultou a dissertação “Educação Superior e Sustentabilidade”, aprovada pela Uniso em 2016. Além de analisar uma vasta bibliografia sobre o tema, a pesquisadora foi a campo para ver como a sustentabilidade é tratada nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação – licenciatura de três instituições de educação superior da cidade de Sorocaba, sendo uma delas de iniciativa privada, uma de iniciativa pública e outra comunitária. O resultado mostrou que o tema é muito pouco, ou quase nada, tratado nas faculdades.

“Os cursos de graduação na licenciatura seriam voltados para a formação de novos professores. Se a faculdade conseguir educar um professor dentro do conceito de sustentabilidade, muito provavelmente ele se torne um multiplicador, um formador de opinião, uma pessoa que vai ter a condição de preparar uma geração inteira para o desenvolvimento sustentável”, explica.

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Educação sem sustentabilidade

Ao todo, a pesquisadora estudou 24 projetos pedagógicos dos cursos de graduação – licenciatura em Ciências Exatas e da Terra, Comunicação e Artes, e Humanidades. Tomaz pesquisou cursos da Universidade Anhanguera (particular), Universidade Federal de São Carlos (pública) e Universidade de Sorocaba (comunitária).

Nas áreas das Ciências Exatas e da Terra, a proporção de disciplinas que contemplam a temática da sustentabilidade é pequena: na Física e na Matemática o tema é quase ausente e nas Ciências Biológicas não chega a 10%. “As pequenas variações entre os diferentes tipos de instituições (privada, pública e comunitária) não chegam a alterar o quadro geral”, explica. Quanto ao curso de Geografia, o quadro é diferente, com a temática da sustentabilidade mais presente. Mesmo assim, apenas 14,5% das disciplinas discutem o tema.

Nas áreas de Comunicação e Artes, a questão da sustentabilidade está praticamente fora de preocupação das disciplinas, surgindo timidamente nas Artes Visuais e Dança. Também na área de Humanidades, a preocupação com o meio ambiente e sua sustentabilidade não tem o devido destaque.

“Fica evidente que o aprendizado de sustentabilidade, efetivamente, não faz parte da educação superior na modalidade de graduação – licenciaturas”, afirma Tomaz. “O que a pesquisa evidenciou é que a relevância da sustentabilidade ainda não fez eco no que diz respeito à educação superior nas instituições analisadas, tendo em vista que o conceito de sustentabilidade não se faz protagonista em nenhuma das disciplinas dos 24 projetos pedagógicos analisados”, explica.

Para a pesquisadora, a constatação de que o conceito de sustentabilidade não é devidamente evidenciado na formação de novos professores causa extrema preocupação com a qualidade de formação do aluno/cidadão que é entregue para a sociedade. “A vida em nosso planeta é integralmente dependente do desenvolvimento sustentável e a insipiência constatada no ensino do conceito de sustentabilidade na educação superior negligencia o direito à vida da forma que conhecemos hoje às gerações futuras. A educação superior com a atual estruturação curricular, sem consolidar em seus projetos pedagógicos o conceito de sustentabilidade de maneira efetiva, se furta do papel de formação integral e cidadã à qual em princípio deveria se prestar”, alerta a pesquisa.

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Como sugestão para a mudança deste cenário desfavorável, Tomaz propõe que as Instituições de Ensino Superior revisem os Projetos Pedagógicos com a inclusão interdisciplinar do conceito de sustentabilidade em seus quatro pilares (Ambiental, Cultural, Econômico e Social) para a formação de educadores socialmente e emocionalmente engajados na promoção do desenvolvimento de empatia por todas as formas de vida; em adotar a sustentabilidade como prática comunitária, em fazer o invisível se tornar visível, em demonstrar como a natureza sustenta a vida como um todo.

Com base na dissertação “Educação Superior e Sustentabilidade”, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uniso, elaborada sob orientação do professor doutor Waldemar Marques e aprovada em 28 de setembro de 2016. A dissertação pode ser encontrada e baixada no site: https://cutt.ly/XxTMAMn

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