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Mesclando recursos visuais ao texto escrito, infografia pode contribuir para acessibilidade

27 de Novembro de 2020 às 06:00

Se você já deu uma olhada na revista internacional do projeto Uniso Ciência (Science @ Uniso), é possível que tenha reparado em reportagens que, além das fotos e do texto escrito, incluem recursos visuais associados ao conteúdo tradicional em prosa. O nome disso é infográfico e, segundo a pesquisadora Aparecida Matilde Haddad, que investigou o uso desses elementos na mídia impressa de caráter jornalístico como parte de seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso), o recurso combina duas linguagens diferentes, que funcionam em relação de complementaridade.

Sobre a mesa, exemplos de infográficos já publicados na revista internacional do projeto Uniso Ciência. Foto: Paulo Ribeiro

“O infográfico se vale da palavra e da imagem”, ela define. “Sua função é sintetizar dados, por meio de ilustrações, pictografias e outras modalidades de representação visual, para facilitar a compreensão de um assunto. Na infografia existe uma relação complementar entre a linguagem verbal e a visual; enquanto a primeira e? mais analítica, permitindo a compreensão das partes, a segunda e? mais sucinta, guiando o intérprete à compreensão por meio de um movimento que chega às partes partindo do conjunto.”

Em sua pesquisa, Haddad aplicou a semiótica — o estudo da forma como os seres humanos atribuem significados aos signos durante o processo de comunicação —, para compreender os limites comunicativos da infografia, classificando os infográficos publicados num dos principais jornais do Brasil no ano de 2017. Os resultados podem ser conferidos em sua dissertação, acessível gratuitamente pelo QR code ao fim desta reportagem.

Revista Uniso Ciência

Revista Internacional

Siga o link (http://uniso.br/home/uniso-ciencia) pelo QR Code para acessar as edições já publicadas da revista internacional do projeto Uniso Ciência. Basta clicar em “Revista” e selecionar uma das edições, a partir de junho/2018.

Processo de construção

O designer Luiz Iria, um dos maiores infografistas do Brasil, que atuou na Editora Abril de 1995 a 2013, concorda com a afirmação de Haddad: elaborar um infográfico envolve muito mais do que compor uma ilustração agradável aos olhos. “A forma de estruturação do infográfico vai depender da informação que eu quero passar”, ele conta. “Se eu vou explicar, por exemplo, o processo de fabricação de um carro, então meu infográfico vai seguir um formato de passo a passo. Mas, se eu quero falar sobre os animais da Amazônia, então eu posso compor uma imagem com todos os animais e o leitor escolhe por si mesmo por qual animal começar a sua leitura.”

Um passo para a inclusão

Além de uma questão puramente estética, os infográficos têm um importante potencial no que diz respeito à cognição, podendo auxiliar no processo de assimilação de informações complexas (como Ciência e Tecnologia, por exemplo). Para a professora doutora Lilian de Fatima Zanoni Nogueira, docente do curso de Terapia Ocupacional e outros programas de graduação na área da Saúde da Uniso, além de coordenadora do serviço de acessibilidade e diversidade funcional da Universidade, a utilização de recursos visuais — incluindo os infográficos — é de grande utilidade para o desenvolvimento de estudantes com algum tipo de deficiência cognitiva ou déficit de aprendizagem.

“A linguagem visual tem um processamento cerebral diferente, possibilitando uma aprendizagem mais direta. Pessoas com dislexia, disgrafia ou distúrbios de aprendizagem, por exemplo, possuem maior facilidade para detalhar verbalmente as informações que obtêm a partir de um infográfico do que aquelas obtidas por meio do texto corrido. E o mesmo vale para casos de discalculia ou outras dificuldades cognitivas relacionadas à matemática, situações em que infográficos estatísticos também têm se mostrado eficientes”, Nogueira conclui.

Com base na dissertação “Alcances e limites comunicativos e cognitivos do infográfico: Estudo com o jornal Folha de S. Paulo”, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso, com orientação da professora doutora Maria Ogécia Drigo e aprovada em 28 de fevereiro de 2019. Acesse a pesquisa: http://comunicacaoecultura.uniso.br/producao-discente/2019/pdf/aparecida-haddad.pdf.

Texto: Maiara Moreira e Nicolle Boscariol, da Agência Experimental de Jornalismo da Uniso