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Estudo ensina médicos a aplicar produtos de preenchimento dérmico facial

Pesquisa analisou um universo de 279 pacientes atendidos em uma clínica de cirurgia plástica, de 2007 a 2010.
O médico e pesquisador Rogério Ruiz analisou mais de 270 pacientes em uma clínica de cirurgia plástica para realizar o estudo FOTO: Marcel Stefano

Reportagem: Marcel Stefano

Com a popularização das cirurgias plásticas e dos procedimentos menos invasivos em busca do corpo perfeito, um problema surgiu nesta área da estética: a falta de treinamento dos profissionais médicos que atuam nessa área e não conseguem se aprofundar em todos os tipos de produtos que surgem no mercado. E foi para sanar parte desse problema que o médico, especialista em cirurgia plástica, Rogério de Oliveira Ruiz desenvolveu uma metodologia de ensino para explicar tanto a médicos novos como aos mais experientes sobre as técnicas e os produtos disponíveis para o preenchimento facial, focando nos produtos à base de ácido hialurônico (AH). Essa metodologia foi pesquisada durante seu mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso) e virou a dissertação “Preenchimento dérmico facial com produto à base de ácido hialurônico – metodologia para ensino médico”.

Desde a antiguidade, o rosto das pessoas já era curiosamente observado na tentativa de estudar para equalizar as partes da face e tentar chegar àquilo que se acreditava ser o belo. Desde o Renascimento, quando a proporção áurea era usada para dividir o rosto humano em quadrantes e fórmulas matemáticas, aos dias de hoje, os avanços nessa área da estética foram muitos. Melhoraram as técnicas médicas e também avançaram os conhecimentos sobre as drogas à disposição de novos tratamentos.

Dentre eles, o ácido hialurônico, que é um polímero, polissacarídeo que tem participação na proliferação de fibroblastos e na maturação das fibras colágenas. É um produto não imunogênico, tendo estrutura semelhante em todas as espécies vivas, o que dispensa, portanto, seu uso de testes prévios de alergia.

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Ruiz analisou um universo de 279 pacientes atendidos em uma clínica de cirurgia plástica, de 2007 a 2010, sendo 92 homens e 187 mulheres. Desses, elencou 44 casos cujo problema facial era a presença de rugas estáticas, classificadas no estudo pela escala de Glogau modificado de grau 3.

Tecnicamente falando, a classificação Glogau (que faz referência ao professor de dermatologia Richard Glogau, da Universidade da Califórnia) é uma escala de avaliação de fotoenvelhecimento. Enquadramse, nessa escala, pacientes acima de 50 anos com rugas visíveis, mesmo na ausência de movimentação facial, com presença de manchas senis, microvasos aparentes e manchas escamosas de pele seca. No estudo, porém, a escala teve seu nome alterado para Glogau modificado, pois incluiu homens, o que a classificação Glogau original não previa. “O uso da classificação original de Glogau (…) trouxe dificuldades na inclusão dos pacientes, uma vez que o trabalho original de Richard Glogau observa o uso de maquiagem e delimita faixas etárias estanques, o que impossibilita seu uso em pacientes do sexo masculino e torna difícil a definição do grau de envelhecimento em algumas pacientes do sexo feminino.”

Na dissertação, utilizando de fotografias, o pesquisador apresenta em quais linhas da face e camadas dermatológica o AH deve ser aplicado. Depois, com fotografias de antes e depois da aplicação, apresenta o resultado de acompanhamento dos pacientes, que, após o desenvolvimento das técnicas, apresentaram redução de intercorrências. “(…) Com o aprimoramento profissional do aplicador do AH, devido à evolução das técnicas de preenchimento, houve uma diminuição da incidência de efeitos adversos de 62,5% para 7,62%”, nos anos 2007 e 2010, respectivamente.

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Na elaboração das aulas, o pesquisador dividiu o ensinamento em duas fases: aulas básicas e avançadas. Na básica, para médicos com menos experiência na área, houve um maior empenho em discutir a anatomia facial, os planos de aplicação dérmicos e as características dos produtos usados. Por sua vez, nas aulas avançadas, como os médicos alunos já possuem mais esses conhecimentos, foi “possível a abrangência de um número maior de regiões faciais passíveis da realização de preenchimento dérmico.”

Ruiz defende a pesquisa argumentando que “a quantidade de produtos de AH puros, com adiação de anestésicos ou açúcares (manitol), ofertada no mercado pelas indústrias, levanta dúvidas e por vezes resulta em confusão para os médicos que não possuem conhecimento das características de cada apresentação. Essa gama de produtos acaba dificultando o médico iniciante, e até mesmo os médicos com certa experiência, uma vez que é necessário conhecimento das características físicoquímicas e reológicas de cada apresentação do preenchedor para a indicação precisa. Por vezes, as diferenças são sutis, o que pode levar a erros de indicação com perda de produto ou resultados insatisfatórios, com aumento de riscos e custos para o médico e para o paciente.”

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Na conclusão de sua pesquisa, Ruiz acrescenta que “a incorporação de recursos de mídia recentes, assim como a edição de vídeos e animações, são instrumentos valiosos, que podem tornar o ensino mais agradável aos médicos discentes e o treinamento teórico mais dinâmico. Diante da oferta cada vez maior de novos preenchedores dérmicos à base de ácido hialurônico ou de novos polímeros (…), o aperfeiçoamento do ensino das técnicas e particularidades sobre a terapêutica, para os médicos iniciantes, e de atualizações, para os médicos atuantes na área, deve ser um exercício constante.”

Em um país que já foi o maior realizador de cirurgias plásticas no mundo e atualmente ocupa a segunda colocação do ranking mundial, dá para se imaginar que é alta a demanda por esse tipo de procedimento, pois o brasileiro se importa bastante com a aparência. A demanda aquecida abre espaço para o surgimento de novos produtos e de novos médicos interessados em atuar neste mercado. E nada melhor ao paciente, quando for passar por um procedimento médico nesta área, do que ter a certeza que seu médico recebeu treinamento no mesmo ritmo de desenvolvimento de novos produtos e técnicas.

Texto elaborado com base na dissertação “Preenchimento dérmico facial com produto à base de Ácido Hialurônico – Metodologia para ensino médico”, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), com orientação da professora doutora Marli Gerenutti e aprovada em 13 de junho de 2013. Acesse a pesquisa aqui.

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