Uniso Ciência

Designer gráfico analisa interação das pessoas com o QR Code

O QR Code foi criado para atender ao mercado japonês que buscava por um código com mais informações que o conhecido código de barras

No final desta reportagem, é possível encontrar um símbolo cheio de quadradinhos dentro, conhecido como Quick Response Code (Código de Resposta Rápida), também chamado QR Code. Essa imagem em preto e branco é um código bidimensional que, com a utilização de um leitor óptico específico, instalado gratuitamente no celular, facilita a vida de muita gente. Conforme explica o designer gráfico Felipe Parra Alves de Oliveira, “em sua forma labiríntica e entrecruzada, a figura carrega dados que direcionam para informações contidas no ambiente digital, como textos, vídeos, fotos ou determinado site da rede mundial de computadores.”

E é isso mesmo o que o QR Code faz no final desta matéria: ao apontar seu celular com um software-leitor para esse código bidimensional, o leitor irá carregar o arquivo e abrir em seu celular a dissertação “Comunicação contemporânea, cultura digital e práticas socioculturais: relações entre usuário-interator e tecnologia QR Code”. Essa pesquisa serviu como base para esta reportagem e é o resultado do mestrado em Comunicação e Cultura feito por Oliveira, que estudou a interação entre o usuário da internet com esse código bidimensional. O trabalho foi realizado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e finalizado em 2016.

Felipe Parra Alves de Oliveira, autor da pesquisa. Foto: Paulo Ribeiro

O QR Code, que serve como um hiperlink que liga uma imagem a conteúdos digitais presentes no ciberespaço, foi criado em 1994 pela empresa japonesa Denso Wave, do grupo Toyota, atendendo à necessidade do mercado japonês que buscava por um código que contivesse mais informações que o conhecido código de barras. “Enquanto os códigos de barras convencionais podem armazenar somente 20 dígitos, o QR Code possui a capacidade de reunir até 7.089 caracteres em uma única figura. Além dessa potencialidade, ele torna possível trabalhar com diversos tipos de dados, tais como caracteres numéricos, alfanuméricos, códigos Kanji, Kana, símbolos, binários e controle, o que aumenta a versatilidade de utilização da tecnologia. Outra capacidade do QR Code está em administrar 354 vezes mais informações que os convencionais códigos de barras”, explica Oliveira.

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Na dissertação, que teve a pesquisa qualitativa, empírica exploratória como seu caminho metodológico, o pesquisador explica todas as funções de cada parte do QR Code, apresenta os principais problemas que geram falha na leitura do código, bem como mostra as diferenças existentes entre os nove tipos de códigos bidimensionais disponíveis no mercado: são dois modelos de QR Code, quatro tipos de Micro QR Code, um tipo de iQR Code, um tipo de Security QR Code (SQRC) e, por último, o Frame QR Code.

Oliveira argumenta que, devido ao fato da empresa criadora do QR Code não cobrar royalties pelo uso de sua inovação, o QR Code ganhou as ruas. “As potencialidades do QR Code aliadas à política de código público impulsionaram a tecnologia do meio industrial para o cotidiano. Hoje, com a abrangência dos dispositivos móveis, torna-se economicamente atraente desenvolver tecnologias para atingir especificamente esse usuário-interator.”

Relação homem x código

Para perceber como se dão, na prática, as relações entre os códigos bidimensionais e os usuários dessa tecnologia, a quem Oliveira se refere como usuário-interator, o estudo propõe uma experimentação da tecnologia QR Code. Com a ajuda de amigos e parentes, foram colados códigos QR Code em 52 cidades, de 7 países: Alemanha, Brasil, Canadá, China, Espanha e Estados Unidos. Para driblar legislações de cidades que criminalizam o ato de colar um adesivo em postes ou placas, Oliveira teve a ajuda de donos de carros que autorizaram ele colar os códigos nos veículos. O que permitiu uma interação diferente em sua análise.

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Esses códigos, ao serem escaneados, levavam o usuário-interator ao vídeo Umbra, de 5 minutos e 12 segundos, que experencia imagens urbanas por meio das sensações. Com isso, Oliveira se propôs a observar as relações entre usuários e códigos bidimensioinais, a partir da ótica contemporânea da Comunicação e da Cultura. “A sugestão dos estudos contemporâneos dedica-se a experienciar, por determinado período, acontecimentos que ocorrem no cotidiano de forma consistente e própria. Assim, por meio da observação, da descrição e da discussão, pode-se dissertar sobre as complexidades que permeiam a sociedade hipermidiática. Do embasamento teórico e das impressões e sensações causadas pela experiência, cria-se um estudo sobre as complexidades encontradas na contemporaneidade”, explica Oliveira, no estudo.

O pesquisador diz que “atualmente, observa-se que o QR Code está espalhado pelo espaço urbano em forma de informações digitais. Da relação que se estabelece entre dispositivos móveis e tecnologia QR Code, ambientes públicos e privados transformam-se em locais de difusão informacional. Os lugares e objetos emitem informações digitais por meio dos códigos bidimensionais e são processados por diferentes tipos de aparatos tecnológicos com características móveis (tablets, laptops em redes wi-fi, bluetooth, dispositivos móveis etc.). Oliveira também destaca que o baixo custo faz do QR Code uma excelente opção de informação na área urbana. “Necessita-se somente a impressão e a fixação do código.”

Popularização

Para Oliveira, o código tem espaço para se popularizar ainda mais na sociedade. Ele diz que há um certo preconceito ou temor das pessoas explorarem todo o potencial do QR Code. Diz que o QR Code é visto ainda como uma tecnologia disponível só para a área industrial/comercial, em substituição ao código de barras, mas que o potencial dele é muito maior que esse.

“O QR Code é pouco utilizado para as praticidades que a gente tem no nosso cotidiano. Muitas das vezes, as pessoas podem pensar que é uma linguagem só de máquina para máquina. Ou então, ‘ah, isso não é para mim.’ Poucas pessoas sabem que elas mesmas podem produzir esses QR Codes”, diz Oliveira.

Mas ele diz que isso está mudando, ajudada, segundo ele, pela forma de sincronização do aplicativo Whatsapp de celular com o programa em sua versão web, em que o usuário precisa escanear um código QR para sincronizar as conversas do celular com a do computador. Ele diz que isso tem ajudado a diminuir o medo dos usuários com o código. “Eu acho que o grande lance do QR Code é fazer a ponte entre o meio físico e o digital. Essa ponte é a grande potencialidade dele. Porque, através dele, você consegue abrir caminho para tudo o que você queira. Não como um grande armazenador de informação, mas como um redirecionador.”

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Quer ver na prática como é isso? Basta escanear esse QR Code abaixo e você será redirecionado à pesquisa desenvolvida pelo Felipe Oliveira em seu mestrado.

Texto elaborado com base na dissertação “Comunicação contemporânea, cultura digital e práticas socioculturais: relações entre usuário-interator e tecnologia QR Code”, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso), com orientação do professor doutor Wilton Garcia e aprovada em 2016. A dissertação pode ser encontrada e baixada no site clicando neste link.

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