O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros despertou dúvidas entre consumidores e empresários. Apesar da preocupação inicial, especialistas avaliam que o impacto direto no preço da maioria dos itens vendidos no Brasil tende a ser limitado. Isso ocorre porque a medida atinge principalmente as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
Tarifa afeta exportações, não compras no Brasil
A nova cobrança de 25% foi anunciada pelo governo norte-americano após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. A medida está prevista para entrar em vigor em 22 de julho. Mesmo assim, milhares de produtos ficaram de fora da nova tributação.
Entre os itens isentos estão produtos importantes para a pauta de exportações do Brasil. Carnes, frutas, café, fertilizantes, minerais e aeronaves permanecem livres da sobretaxa. Segundo a economista Monica de Bolle, essa lista reduz significativamente os efeitos econômicos da decisão.
A especialista explica que aproximadamente dois terços das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuarão sem a nova cobrança. Dessa forma, apenas uma parcela dos produtos será diretamente atingida. Na avaliação dela, isso reduz o potencial de impactos sobre empresas e consumidores.

Especialista vê limites no protecionismo
Monica de Bolle afirma que a economia americana continua altamente integrada ao comércio internacional. Por isso, medidas protecionistas encontram limitações na prática. Produtos brasileiros considerados estratégicos para os EUA acabaram preservados da tarifa.
A economista também considera que a decisão possui forte componente político. Segundo ela, não existe uma justificativa econômica consistente para incluir o Brasil entre os países mais afetados. O superávit comercial americano na relação bilateral reforçaria essa avaliação.
O Governo brasileiro criticou oficialmente a decisão dos Estados Unidos. Além de estudar a aplicação da Lei de Reciprocidade, pretende levar a disputa para a Organização Mundial do Comércio. Ao mesmo tempo, busca ampliar negociações comerciais com outros parceiros internacionais.









