A Uber avalia que a expansão dos carros autônomos no Brasil ainda deve levar muitos anos. O COO da empresa, Andrew Macdonald, afirmou que o custo da tecnologia continua distante da realidade das tarifas praticadas no país. A Índia enfrenta cenário semelhante.
Segundo o executivo, uma viagem realizada por motoristas no Brasil custa, em média, entre US$ 3,50 e US$ 4. Na Índia, o valor fica próximo de US$ 2,50 a US$ 3. Para a autonomia competir economicamente com o trabalho humano nesses mercados, seria necessário reduzir significativamente o custo da tecnologia.
Brasil pode atrasar expansão da autonomia
Macdonald afirmou que não é possível determinar quando a maioria das viagens da Uber será feita por veículos autônomos. Na avaliação dele, isso dependerá principalmente da chegada da tecnologia aos grandes mercados de viagens. Brasil e Índia, portanto, podem influenciar diretamente esse cronograma.
Enquanto a autonomia avança em algumas cidades dos Estados Unidos, a participação desses veículos ainda representa uma pequena parcela das operações da plataforma. A Uber realiza cerca de 300 milhões de viagens por semana. Em comparação, são apenas alguns milhões de viagens autônomas por mês.
San Francisco e Los Angeles estão entre os mercados onde a empresa já convive com veículos sem motorista. Mesmo nesses locais, porém, a operação tradicional com condutores humanos continua sendo importante para o funcionamento da plataforma. O cenário mostra que a transição ainda está longe de ser completa.

Uber abandonou projeto próprio de carros autônomos
A empresa também decidiu não desenvolver internamente sua própria tecnologia de veículos autônomos. Durante a pandemia, a Uber vendeu sua divisão Advanced Technologies Group, em um período no qual a receita bruta da operação de mobilidade despencou 84% em apenas três semanas.
De acordo com Macdonald, a companhia não acreditava estar em posição de liderar o setor naquele momento. A estratégia passou a priorizar o negócio principal de mobilidade e a colaboração com empresas especializadas em autonomia. Até agora, os resultados financeiros indicam que essa escolha funcionou.









