Após mais de duas décadas de desativação, o arquipélago de Coiba, no Panamá, que por 85 anos funcionou como uma prisão de segurança máxima, retomou o recebimento de detentos. O local, composto por 38 ilhas e ilhotas a cerca de 25 quilômetros da costa oeste panamenha, foi palco de trabalhos forçados, torturas e massacres durante seu período de funcionamento.
A decisão do atual governo de reativar a base aeronaval para abrigar presos, em junho e agosto, reacendeu preocupações entre ambientalistas e pesquisadores. A história da prisão remonta a 1919, sob a gestão de Belisario Porras.
Sem receber pagamento, os prisioneiros se dedicavam à pecuária e ao cultivo de alimentos em fazendas. O isolamento geográfico de Coiba, que preservou seus ecossistemas e garantiu o título de Patrimônio Mundial, também facilitou a ocorrência de maus-tratos.
Fugas e denúncias de violações
Ao longo das décadas, o arquipélago foi palco de narrativas sobre jornadas de trabalho extenuantes, violências físicas e a ausência de alimentos e cuidados médicos. No Panamá, durante a ditadura militar que durou de 1968 a 1989, as denúncias de violações aos Direitos Humanos foram especialmente intensas.
A tentativa de fuga em 1998, que culminou na decapitação de quatro presos por um bando rival, intensificou a demanda social pelo fechamento da unidade. O incidente de 1998 acelerou o processo que culminou no fechamento definitivo da prisão em 2004.
Coiba tornou-se um centro de pesquisa ambiental, onde cientistas investigam a recuperação da flora em antigas áreas de cultivo, os corais e os percursos de migração de baleias e tubarões. O local também serve de refúgio para espécies que já desapareceram de outras partes do Panamá, como a águia-de-crista e a arara-vermelha.

O que motivou a reativação da prisão?
A reativação da base aeronaval na ilha ocorreu após uma fuga em massa de 195 detentos da prisão de La Joyita, em Pacora. O governo justificou como segurança nacional a transferência de 32 presos, sendo 29 deles classificados de alto risco.
Essa decisão foi tomada em junho e novos detentos foram transferidos em agosto, reativando a base que estava inativa para esse fim. A presença de presos não é prevista na legislação de amparo ao parque, argumentaram o Centro de Defesa Ambiental do Panamá e diversas entidades.
Em resposta, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que, como não houve necessidade de construir novas instalações para abrigar os detentos, a medida não causou impacto ambiental significativo no arquipélago.









