O Flamengo solicitou à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) que analise a negociação envolvendo a possível venda da SAF do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia.
O clube rubro-negro pede que o órgão avalie a operação e, caso identifique irregularidades, impeça sua conclusão por possível descumprimento das normas sobre multipropriedade no futebol.
A manifestação do Flamengo se baseia na Seção 9 do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) e no artigo 62 da Lei Geral do Esporte.
O principal argumento é que Marcos Lamacchia é filho de José Lamacchia, marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras até dezembro de 2027, o que poderia configurar conflito com as regras que limitam o controle ou influência sobre mais de um clube que dispute as mesmas competições.
Antes mesmo da manifestação do Flamengo, a ANRESF já havia notificado o Vasco para prestar esclarecimentos sobre os detalhes da negociação e os termos da possível venda da SAF. O clube cruz-maltino ainda está dentro do prazo para apresentar sua resposta ao órgão regulador.
Nos últimos dias, Marcos Lamacchia e seu pai, José Lamacchia, concederam entrevistas comentando o interesse na aquisição da SAF vascaína. José é apontado como o principal avalista financeiro da operação.
🚨 AGORA! Flamengo aciona agência da CBF por análise e possível veto à venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia.
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) July 16, 2026
Antes de acionar a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), o Fla notificou o Vasco.
A ANRESF pediu esclarecimentos ao Vasco sobre a… pic.twitter.com/vdUfUZbRSu
O que diz o regulamento na prática
O Flamengo sustenta que a negociação pode violar o artigo 86 do Sistema de Sustentabilidade Financeira, que proíbe que uma mesma pessoa física ou jurídica exerça, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
O regulamento considera como influência significativa situações como a capacidade de definir políticas financeiras ou administrativas, indicar dirigentes, exercer poder de veto ou possuir participação relevante nos direitos de voto, além de contratos de financiamento que garantam poder de decisão sobre a gestão do clube.
Outro ponto destacado é que, para verificar eventual conflito, devem ser considerados não apenas os interesses da pessoa diretamente envolvida, mas também de seu cônjuge e de parentes de até segundo grau, incluindo pais, filhos e irmãos.
Lei Geral do Esporte também é citada
Além do regulamento da ANRESF, o Flamengo fundamenta seu pedido na Lei Geral do Esporte, que proíbe uma mesma pessoa ou empresa de participar, direta ou indiretamente, da administração ou do capital de duas organizações esportivas profissionais que disputem a mesma competição.
A legislação também estende essa restrição aos cônjuges, parentes de até segundo grau, empresas controladoras, controladas, coligadas e fundos de investimento que possam resultar em participação simultânea em mais de um clube.
Vale destacar que o Palmeiras não corre risco de qualquer punição por essa questão. Já que a solicitação de análise feita pelo Flamengo envolve a negociação em relação ao Vasco.
Com o pedido protocolado pelo Flamengo e a notificação já encaminhada ao Vasco, caberá agora à ANRESF analisar a documentação apresentada pelas partes e verificar se a negociação está em conformidade com as regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira e com a legislação esportiva em vigor.
Somente após essa avaliação o órgão poderá decidir se a operação poderá seguir normalmente ou se haverá algum tipo de restrição.









