Cientistas localizaram mais de 200 mil barris de lixo radioativo depositados no fundo do mar por países europeus durante décadas. O material perigoso foi descartado em águas internacionais entre os anos 1970 e 1980, espalhando contaminação radioativa por uma extensa área submersa.
A descoberta ocorreu após mapeamentos detalhados realizados pelo projeto NODSSUM, que utiliza tecnologia avançada para entender os impactos desses resíduos na vida marinha. Os pesquisadores confirmaram a presença de substâncias instáveis em amostras de solo, água e organismos coletadas perto dos recipientes metálicos.
Monitoramento no leito marinho: radioativo
O projeto NODSSUM investiga a integridade dos tonéis que permanecem submersos em grandes profundidades no oceano. O uso do robô submarino UlyX, capaz de operar a seis mil metros. Foi essencial para identificar esses objetos através de sonares de alta resolução.
Durante a etapa de 2026, a expedição com o submarino tripulado Nautile permitiu uma observação visual direta dos tanques. O grupo liderado por especialistas, incluindo nomes da Universidade Clermont Auvergne, encontrou sinais claros de deterioração e vazamento de material contaminante pelo fundo oceânico.
Riscos e contaminação radioativa
Análises revelaram a presença de radionuclídeos, como cobalto-60, nióbio-94, césio-137 e amerício-241, em locais distantes do descarte inicial. Esses elementos são átomos instáveis que liberam radiação ao se transformarem, afetando ambientes profundos que deveriam estar preservados da atividade humana industrial.
A observação de caranguejos, anêmonas e esponjas vivendo sobre os barris demonstra uma interação perigosa entre a fauna e os resíduos. O foco do projeto continua sendo o monitoramento contínuo das condições desses tonéis.
Isso vai evitando qualquer tentativa de remoção que possa agravar a dispersão de elementos radioativos pelo ecossistema marinho. A localização desses resíduos, cerca de 1.200 quilômetros a oeste da cidade de La Rochelle, na França, permanece sob análise detalhada dos cientistas.
As equipes seguem comparando as áreas contaminadas com regiões adjacentes preservadas para determinar a real extensão dos danos ambientais causados historicamente.









