O antigo leito do Mar de Aral, na Ásia Central. Transformou-se em um vasto deserto repleto de navios abandonados após o desaparecimento total de suas águas. O fenômeno impactou drasticamente comunidades pesqueiras locais, que perderam sua fonte de renda devido ao recuo extremo do lago.
A área leste secou completamente em agosto de 2014, revelando um cenário desolador com carcaças metálicas espalhadas sobre a Terra seca. Esse desastre ambiental decorre do desvio sistemático de rios para a irrigação de plantações de algodão iniciada na era Soviética.
Transformação ambiental e seca histórica: deserto
Dados da Universidade Western Michigan apontam que a perda total da porção leste do Grande Mar de Aral foi inédita nos tempos modernos. O geógrafo emérito Philip Micklin avalia que um evento dessa magnitude talvez não ocorresse há cerca de 600 anos.
O recuo da água aconteceu por uma combinação severa de chuvas escassas e menor acúmulo de neve nas montanhas Pamir. Essas fontes naturais abasteciam o rio Amu Darya, cujas águas foram desviadas para a agricultura, reduzindo o fluxo vital que alimentava o lago.
Impacto nas atividades e no clima
A pesca colapsou em diversas regiões pois a redução do volume hídrico aumentou perigosamente a concentração de sal. Embarcações que outrora navegavam livremente ficaram distantes da nova linha costeira, tornando-se vestígios inertes presos no fundo do antigo Mar.
O Mar de Aral detinha 67 mil quilômetros quadrados em 1960, mas a exploração intensiva para abastecer plantações alterou permanentemente a paisagem. Hoje, o que resta são divisões geográficas isoladas, com o Pequeno Mar ao norte e o Grande Mar ao sul, consolidando uma das maiores tragédias ecológicas provocadas pelo homem.
O registro do secamento em 19 de agosto de 2014 foi capturado por equipamentos do satélite Terra. A situação permanece sem reversão, consolidando o cenário de deserto onde antes existia uma das maiores superfícies líquidas do planeta.









