A Polícia Federal deflagrou a Operação Laudo Cego para desarticular uma quadrilha especializada em conceder auxílios por incapacidade temporária de forma irregular. A investigação estima um prejuízo de R$ 6,57 milhões decorrente de 172 benefícios obtidos com documentos falsificados.
Cerca de 150 agentes cumprem 39 mandados de busca e apreensão no Maranhão e em outros cinco estados brasileiros. As diligências visam desbaratar um esquema que envolvia falsificação de atestados médicos, criação de vínculos empregatícios fictícios e inserção de dados falsos em sistemas previdenciários.
O grupo contava com a participação de profissionais da saúde, contadores, empresários e servidores públicos para operacionalizar as fraudes. A organização distribuía tarefas específicas entre seus membros, desde o recrutamento de interessados até a manipulação do fluxo de caixa proveniente dos benefícios ilegais.
A inteligência previdenciária identificou que, além dos R$ 6,57 milhões já perdidos, a suspensão imediata dos pagamentos sob suspeita impedirá uma perda adicional de R$ 1,01 milhão. As medidas judiciais incluem o bloqueio de bens dos investigados e a quebra de sigilos bancário e fiscal.
Abrangência e histórico da ação
A maioria das buscas se concentra em cidades do Maranhão, como São Luís e Pinheiro. Mas a operação estende-se a localidades no Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará, Piauí e Ceará.
A atual ofensiva da PF deriva da Operação Camisaria, deflagrada em setembro de 2024, após análise de documentos apreendidos anteriormente. Os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato previdenciário, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O sistema previdenciário brasileiro funciona com base na contribuição mensal dos trabalhadores, que garante proteção financeira em momentos de infortúnio, como doenças ou acidentes que impeçam a continuidade do trabalho.
O combate a essas irregularidades é essencial para assegurar a sustentabilidade dos cofres públicos e manter o suporte financeiro disponível aos cidadãos que realmente precisam do benefício por incapacidade temporária. O andamento do processo judicial determinará as penas cabíveis aos responsáveis pelo prejuízo milionário aos cofres públicos.









