A Fórmula 1 confirmou o retorno ao continente africano após três décadas de ausência, com um novo Grande Prêmio em Ruanda. O novo autódromo será introduzido no calendário da categoria em alguns anos, com prazo mínimo estabelecido para 2030.
A pista terá construções inspiradas na cultura local e vai aproveitar o relevo natural da região, prometendo um traçado único. Algumas características do circuito já foram divulgadas ao público.
Nova pista em Ruanda, um passo para a fórmula 1
O circuito será construído em Bugesera, distrito a 40 quilômetros da capital, Kigali, na região Leste de Ruanda. O autódromo ficará próximo ao novo Aeroporto Internacional de Kigali, com abertura prevista para o início de 2028.
Alexander Wurz, ex-competidor da Fórmula 1, lidera a Wurz Designs, que trabalha junto à Tilke Engineering, de Hermann Tilke, na elaboração do traçado. Este último já projetou muitas das pistas atuais da F1, desde o tradicional circuito de Spielberg, na Áustria, até o de Las Vegas, inaugurado em 2023.
Traçado e características do circuito
Alexander Wurz explicou que o desenho da pista em Bugesera usará o relevo local, com duas colinas e um lago. Para obter um desenho exclusivo, os responsáveis preferiram aproveitar o terreno natural em vez de seguir com o plano inicial de um traçado urbano.
A possibilidade de um circuito de rua foi objeto de discussões, juntamente com a realocação para outro lugar. Ao tomar conhecimento e depois testemunhar o desenvolvimento em Bugesera, com suas encostas e lagos, Wurz afirmou: “pessoal, só tem um local onde esse circuito deveria estar”.
Ele acrescentou que o objetivo é viver “uma paisagem africana de Ruanda perfeita” com as subidas e descidas do local. Com 17 curvas e trajeto anti-horário, a pista de 6 quilômetros teve detalhes técnicos revelados, apesar do layout total permanecer em segredo.
O circuito terá uma variação de elevação de 197 metros em uma única volta. O site “The Race” informou que uma das retas do traçado terá uma elevação superior à famosa subida da Eau Rouge, em Spa-Francorchamps.
Outros destaques incluem curvas inclinadas, semelhantes às encontradas em Zandvoort, na Holanda, e no Madring, na Espanha. Para favorecer ultrapassagens e freadas bruscas, o traçado contará com uma reta extensa de mais de 1 quilômetro, segundo Hermann Tilke.
A aproximação dos espectadores para bem perto é algo que podemos fazer. Devido à grande quantidade de elevações e inclinações acentuadas, o traçado da pista certamente será muito apreciado pelos pilotos. Segundo o arquiteto, os visitantes terão um percurso ágil, contínuo e bem conectado ao meio ambiente.
Altitude e impacto nos carros
Devido aos 1.500 metros de altitude do terreno em relação ao nível do mar, o fator climático terá impacto determinante em Ruanda. Este dado fará de Ruanda a segunda pista mais alta do calendário da Fórmula 1, ficando atrás apenas do Autódromo Hermanos Rodríguez, no México, situado a 2.250 metros.
As condições de ar rarefeito em altas altitudes influenciam o desempenho dos motores e diminuem a aderência dos pneus. Isso significa que as características do local podem trazer desafios únicos e imprevisíveis para as equipes e pilotos durante as corridas.









