Filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr. está ligado a uma cadeia de negócios que mira as terras raras de um megaprojeto localizado no sul de Minas Gerais. A conexão envolve o Projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, e empresas americanas interessadas em transformar os minerais extraídos no Brasil em matéria-prima para produtos de alta tecnologia.
O projeto fica na região de Poços de Caldas, Andradas e Caldas e possui um recurso mineral estimado em cerca de 1,6 bilhão de toneladas. A área reúne dezenas de licenças e ultrapassa 190 quilômetros quadrados. A Meteoric pretende desenvolver uma operação de longo prazo para produzir terras raras, elementos utilizados em ímãs permanentes, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, energia e aplicações militares.
Como entra o negócio ligado a Trump Jr.
A relação com a família Trump passa pela 1789 Capital, fundo que tem Donald Trump Jr. como sócio e que investiu na americana Vulcan Elements. A empresa atua na fabricação de ímãs e recebeu apoio do governo dos Estados Unidos para ampliar sua produção. A Vulcan, por sua vez, firmou um memorando com a canadense Ucore Rare Metals, que pretende processar terras raras em uma unidade na Louisiana.
O caminho previsto começa em Minas Gerais. A Meteoric assinou em 2024 um memorando com a Ucore para fornecer pelo menos 3 mil toneladas anuais de terras raras do Projeto Caldeira quando a produção comercial estiver em funcionamento. A Ucore faria a separação dos elementos nos Estados Unidos, antes de o material seguir para a cadeia de fabricação de ímãs.
A exploração comercial do Caldeira, porém, ainda não começou. A Meteoric segue avançando nos estudos e licenças ambientais, enquanto testes com amostras do minério já foram realizados para avaliar sua qualidade e possível utilização pela cadeia americana. A empresa estima uma produção média de 12,5 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras em uma operação que pode durar mais de duas décadas.









