A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), que levou à morte do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, é uma condição rara que afeta o cérebro e pode evoluir rapidamente. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 547 casos confirmados entre 2005 e 2021, enquanto outras 1.576 notificações foram classificadas como suspeitas no período.
A DCJ faz parte do grupo das doenças causadas por príons, proteínas que sofrem uma alteração anormal em sua estrutura. Na forma mais comum, chamada esporádica, ainda não se sabe exatamente o que provoca essa mudança. A proteína alterada pode induzir outras proteínas normais a também mudarem de formato, dando início a um processo progressivo de dano às células nervosas.
Conforme essas proteínas anormais se acumulam no cérebro, os neurônios são prejudicados. Isso pode provocar perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para caminhar, problemas de coordenação e movimentos involuntários. A evolução costuma ser muito mais rápida do que em doenças neurodegenerativas mais conhecidas, podendo ocorrer ao longo de semanas ou meses.
A doença possui diferentes formas, incluindo a esporádica, a hereditária, a iatrogênica e a variante relacionada à encefalopatia espongiforme bovina. A forma variante, associada à chamada doença da vaca louca, é diferente da DCJ clássica e não há casos humanos confirmados registrados no Brasil.
O diagnóstico também pode ser difícil, porque os primeiros sintomas podem se parecer com os de outras doenças neurológicas. A investigação combina avaliação clínica e exames, como ressonância magnética, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano. Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper a progressão da doença.









