Pesquisa publicada na revista Nature Communications aponta que a geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, pode elevar o nível dos oceanos em até 3 centímetros até o ano de 2.100. O volume de gelo armazenado no local é capaz de elevar o nível global da água em cerca de 75 centímetros caso ocorra o derretimento completo.
Essa contribuição representa o dobro das projeções consideradas anteriormente pelos cientistas, mesmo em um cenário que exclui qualquer aquecimento climático adicional. Conhecida como Geleira do Juízo Final, essa massa de 192 mil quilômetros quadrados tem 120 quilômetros de largura na costa.
O avanço da água quente sob a geleira
A infiltração de água oceânica relativamente aquecida sob a estrutura congelada acelera de forma expressiva a perda de massa na região. Esse processo atinge com maior intensidade a chamada zona de aterramento, que representa o trecho de transição onde o gelo deixa o leito marinho e passa a flutuar.
Modelos computacionais tradicionais tratavam essa área como uma linha estreita e falhavam ao representar a infiltração da água salgada por quilômetros sob o bloco. Para corrigir essa limitação técnica, pesquisadores da Universidade da Califórnia desenvolveram um sistema que considera zonas de aterramento com largura entre dois e cinco quilômetros.
Dinâmica e estabilidade na antártida
Com a nova abordagem física incorporada aos simuladores, o grupo conseguiu reproduzir com precisão as alterações registradas na espessura e na velocidade do gelo entre 1996 e 2023. Ao longo do leito marinho, a parte ocidental do bloco sofreu um recuo de 25 quilômetros desde meados da década de 1990.
Atualmente, a estrutura permanece parcialmente sustentada pela Crista Mouginot, uma elevação do fundo do mar que serve como ponto de apoio. Caso o derretimento continue avançando, a geleira poderá perder essa sustentação inicial e recuar diretamente em direção à Crista Sul.









