O Brasil possui, na região amazônica, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce já identificadas no planeta. Conhecido como Aquífero Alter do Chão, o reservatório chama atenção pelo volume estimado de água, que supera o do tradicional Aquífero Guarani, enquanto uma recente descoberta de petróleo na costa do Amapá colocou novamente a região Norte no centro das discussões sobre o potencial energético do país.
O Alter do Chão está localizado principalmente nos estados do Amazonas, Pará e Amapá e possui volume estimado em cerca de 86 mil km³ de água. O número é superior às estimativas tradicionalmente atribuídas ao Aquífero Guarani, que se estende por áreas do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A descoberta de petróleo ocorreu em um cenário completamente diferente. Em agosto de 2026, a Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e em águas de 2.886 metros de profundidade.
O achado foi considerado importante para as perspectivas de exploração da chamada Margem Equatorial, mas ainda não significa que o Brasil tenha uma nova reserva de petróleo equivalente ao pré-sal. A Petrobras continua os trabalhos no poço e deverá realizar novas perfurações para determinar o tamanho e as características da acumulação.
A diferença é importante porque, no caso do pré-sal, o país já possui campos em produção e uma estrutura consolidada de exploração. A própria Petrobras informa que a região do pré-sal se estende por aproximadamente 150 mil km² entre Santa Catarina e Espírito Santo.
Mesmo em estágio inicial, o petróleo encontrado na Foz do Amazonas aumenta a atenção sobre uma área considerada estratégica para a reposição das reservas brasileiras. O pré-sal responde atualmente por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, e a Petrobras trabalha com a perspectiva de que essa produção alcance o pico por volta de 2034 ou 2035.









