As condições climáticas adversas enfrentadas pela China podem abrir espaço para novas compras de produtos agrícolas brasileiros. Chuvas intensas e ondas de calor vêm prejudicando diferentes regiões produtoras. O cenário aumenta a preocupação com a oferta doméstica e pode estimular importações.
No norte e no leste da China, fortes chuvas provocaram alagamentos em áreas agrícolas importantes. Ao mesmo tempo, regiões do noroeste registraram temperaturas próximas de 50°C. Milho, soja, algodão e arroz estão entre as culturas afetadas pelos extremos.
Lavouras chinesas sofrem com extremos climáticos
Províncias produtoras de milho e soja, como Jilin, Liaoning e Heilongjiang, enfrentaram períodos de excesso de chuva e inundações. O solo encharcado e a baixa luminosidade podem comprometer o desenvolvimento das plantas. Em outras áreas, o calor acelerou a maturação das lavouras.
A situação preocupa porque uma produção doméstica menor ou com qualidade inferior pode aumentar a necessidade de produtos estrangeiros. Entre os itens que podem ganhar espaço nas compras chinesas estão milho, sorgo e algodão. Brasil e Estados Unidos aparecem entre os possíveis fornecedores desse mercado.

China já aumenta compras no exterior
Os dados de comércio indicam que a demanda chinesa por alguns grãos já vinha crescendo em 2026. No primeiro semestre, as importações de milho avançaram 61,3%, para 1,36 milhão de toneladas. As compras de sorgo subiram 86,2%, enquanto as de cevada cresceram 53,4%.
Esse movimento pode beneficiar o agronegócio brasileiro caso a China amplie seus pedidos. O país asiático é um dos principais compradores de commodities agrícolas produzidas no Brasil. Uma procura maior tende a fortalecer as cotações e melhorar as condições para exportadores nacionais.
O reflexo já aparece nos mercados internacionais, com valorização dos contratos de grãos. Em um mês, o milho para dezembro em Chicago avançou cerca de 12,95%, enquanto o trigo subiu 12,6%. A soja também acumulou alta próxima de 5% no período.









