O Bolsa Família pode levar milhares de famílias a receber, em um único pagamento, um valor superior ao salário mínimo em outubro. Embora o piso do programa passe a ser de R$ 691, a quantia final depende da composição familiar, dos adicionais previstos e também da existência de parcelas acumuladas ou retroativas.
Um levantamento referente ao pagamento de julho mostrou que isso já acontece na prática. Naquele mês, 34.364 beneficiários receberam valores superiores ao salário mínimo de R$ 1.621. Os pagamentos mais altos foram influenciados principalmente pela soma de diferentes parcelas e, em alguns casos, pelo recebimento de valores referentes a meses anteriores.
A partir de outubro, o Bolsa Família terá novos valores. O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante, enquanto o Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança de até 7 anos incompletos. Já o Benefício Variável Familiar aumenta de R$ 50 para R$ 58 por integrante que atenda aos critérios.
Na prática, famílias com vários integrantes podem acumular essas parcelas e alcançar valores bem acima do piso. Uma composição com crianças pequenas, por exemplo, recebe adicionais individualizados, que são somados ao cálculo principal do benefício. Quanto maior o número de pessoas elegíveis aos complementos, maior pode ser o pagamento.
Outro fator capaz de elevar o valor depositado é o pagamento de parcelas retroativas. Quando um benefício bloqueado ou suspenso é posteriormente liberado e fica reconhecido o direito aos pagamentos anteriores, os valores correspondentes podem ser disponibilizados de uma só vez.
Por isso, superar o salário mínimo não significa que o Bolsa Família tenha um novo piso acima de R$ 1.621. O valor continua sendo calculado individualmente. Em outubro, porém, a atualização dos benefícios aumenta o espaço para que determinadas famílias ultrapassem essa marca, principalmente quando há vários adicionais ou parcelas acumuladas no mesmo pagamento.









