Comandar a final de uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer árbitro e um brasileiro foi escolhido para comandar a decisão envolvendo a Argentina. Sobre esse fato histórico, o profissional abriu o jogo, onde revelou a expectativa e a surpresa pela escalação.
Antes da final entre Alemanha e Argentina na Copa do Mundo de 1986, um brasileiro viveu de perto um dos momentos mais marcantes da história da arbitragem.
Romualdo Arppi Filho foi o segundo árbitro do Brasil a comandar uma decisão de Mundial e relembrou, em entrevista ao jornal O Globo em 2014, os bastidores daquele confronto disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, diante de mais de 114 mil torcedores.
Romualdo contou que os dias anteriores à decisão foram marcados por muita pressão e nervosismo. Segundo ele, comandar uma final de Copa do Mundo representa o ponto mais alto da carreira de qualquer árbitro. Apesar da tensão inicial, o ex-juiz afirmou que conseguiu ganhar tranquilidade à medida que a partida se desenrolava.
Indicação da Fifa foi uma surpresa para o árbitro
O árbitro também lembrou que foi surpreendido com a indicação da Fifa para apitar a final. Após a eliminação do Brasil nas quartas de final, as chances aumentaram.
Mas a escolha gerou forte repercussão na Argentina, já que um brasileiro seria o responsável por conduzir um jogo que poderia render o bicampeonato aos argentinos. Mesmo diante das críticas, Romualdo destacou que tudo transcorreu sem problemas.
Entre as lembranças mais valiosas daquele dia está a bola da partida. Assim que o árbitro encerrou o confronto, correu para garantir o objeto, que permaneceu guardado como uma das principais relíquias de sua carreira.
Sobre o jogo, ele avaliou que a decisão foi disputada de forma leal, sem grandes confusões ou lances polêmicos, e considerou justa a vitória argentina por 3 a 2.
Ao comentar a atuação de Diego Maradona, Romualdo fez questão de destacar o comportamento do camisa 10. Segundo ele, o astro argentino foi respeitoso durante toda a final, apesar de ter recebido um cartão amarelo ainda no primeiro tempo.
O ex-árbitro lembrou que Maradona não protagonizou discussões com a arbitragem e ainda deu a assistência para o gol decisivo de Burruchaga. Para Romualdo, finais de Copa naturalmente carregam tensão, mas quando as equipes priorizam o futebol, o trabalho da arbitragem se torna mais tranquilo.
Romualdo Arppi Filho enfrentava problemas de saúde relacionados aos rins. O ex-árbitro, morreu em 4 de março de 2023, aos 84 anos, em decorrência de complicações durante um tratamento renal.
Ele estava internado no Hospital Ana Costa, em Santos (SP), onde não resistiu ao agravamento do quadro clínico. A notícia gerou grande comoção no meio esportivo, que prestou diversas homenagens ao ex-juiz.









