A Austrália adotará novas regras para impedir que músicas produzidas integralmente por inteligência artificial apareçam nas principais paradas do país. A mudança foi anunciada pela Associação Australiana da Indústria Fonográfica, a ARIA. A norma começa a valer nesta sexta-feira (28).
Pelas novas diretrizes, uma faixa precisará ter participação humana significativa em sua criação para disputar posições nos rankings. Produções feitas majoritariamente por inteligência artificial não poderão ser inscritas. A entidade afirma que a medida busca preservar a participação humana na criação artística.
Quando uma música poderá entrar nas paradas
A proibição não alcançará qualquer faixa que tenha utilizado ferramentas de inteligência artificial durante a produção. Recursos generativos poderão continuar sendo empregados de maneira secundária. Nesses casos, a música permanecerá elegível para os rankings da ARIA.
A restrição será aplicada quando a tecnologia for responsável pela maior parte ou pela totalidade dos elementos criativos de uma gravação. Assim, uma produção totalmente artificial ficará fora das paradas. A avaliação acompanha o avanço das ferramentas capazes de gerar vozes, instrumentos e composições.
A decisão ocorre enquanto cresce a quantidade de músicas produzidas com inteligência artificial disponíveis nos serviços de áudio. A discussão ganhou força após casos de faixas aparentemente tradicionais revelarem o uso de tecnologia generativa. O avanço também levantou questionamentos sobre autoria e transparência.

Indústria musical acompanha avanço da IA
Um dos episódios recentes envolveu uma versão de “Like a Prayer”, de Madonna. A música chegou ao primeiro lugar das paradas australianas em julho, mas passou por questionamentos depois que foi revelado o uso de vozes e sons de bateria gerados artificialmente.
As plataformas também começaram a discutir formas de identificar conteúdos produzidos por máquinas. O Spotify anunciou que pretende utilizar o selo “AI Persona” para sinalizar claramente determinados conteúdos relacionados à inteligência artificial. A iniciativa busca diferenciar criações humanas de materiais sintéticos.









