Eike Batista voltou a direcionar os negócios para projetos ligados à energia limpa e à sustentabilidade. Depois de perder grande parte da fortuna construída durante sua ascensão empresarial, o empresário trabalha em novas iniciativas para recuperar espaço no mercado.
A estratégia atual reúne duas frentes relacionadas ao aproveitamento da cana-de-açúcar. A principal delas é a chamada supercana, variedade desenvolvida para aumentar a produtividade agrícola e ampliar o fornecimento de matéria-prima para combustíveis e outros produtos.
Supercana pode elevar produção no campo
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, Eike já teria assegurado US$ 500 milhões para avançar com o projeto. O montante corresponde a aproximadamente R$ 2,95 bilhões e demonstra o tamanho da aposta na nova tecnologia.
O empresário afirma que o Brasil possui cerca de 9 milhões de hectares destinados ao cultivo de cana que poderiam passar por uma transição. A proposta busca elevar a produtividade sem depender apenas da expansão das áreas plantadas.
De acordo com as estimativas apresentadas por Eike, variedades convencionais podem alcançar 120 toneladas por hectare em períodos de maior rendimento. A produção, porém, tende a diminuir com o tempo. Já a supercana teria potencial para atingir 180 toneladas por hectare de maneira estável durante uma década.

Bagaço pode substituir materiais derivados do petróleo
A segunda frente do projeto está relacionada ao aproveitamento dos resíduos gerados pelo processamento da cana. O bagaço poderia ser transformado em matéria-prima para produtos que atualmente utilizam plástico convencional em sua fabricação.
Entre as possibilidades avaliadas estão canudos, copos e embalagens descartáveis. A proposta é utilizar o material vegetal como alternativa a insumos derivados do petróleo. Além de reduzir o desperdício agrícola, o modelo pretende atender à demanda por produtos de menor impacto ambiental.
A estratégia representa uma mudança em relação ao período de expansão acelerada vivido pelo empresário. Sua trajetória começou na mineração, em 1981, e depois avançou para petróleo, portos e energia. O setor petrolífero, entretanto, acabou associado ao colapso de seu antigo conglomerado.









