O IPTV pode enfrentar regras mais rígidas na Europa diante do avanço da pirataria de transmissões esportivas. Um estudo solicitado pelo Parlamento Europeu defende mecanismos capazes de interromper sinais ilegais durante os eventos. A proposta mira principalmente partidas transmitidas sem autorização.
O relatório aponta que bloquear uma transmissão apenas depois do encerramento de uma partida tem pouco efeito. Por isso, a recomendação é permitir ações rápidas enquanto o conteúdo ainda está sendo exibido. A ideia é reduzir o número de espectadores que conseguem acessar o sinal ilegal.
Bloqueios poderão ocorrer em tempo real
Um dos exemplos analisados é o Piracy Shield, utilizado na Itália sob coordenação da autoridade reguladora AGCOM. A ferramenta permite identificar domínios e endereços IP associados a transmissões irregulares. Depois da validação, os provedores podem ser obrigados a bloquear o acesso em até 30 minutos.
A França adotou uma estratégia diferente, baseada inicialmente em decisões judiciais. Após a autorização, a autoridade responsável acompanha os bloqueios e pode incluir novos domínios utilizados para substituir páginas retiradas do ar. Segundo o estudo, o país registrou redução significativa no consumo de transmissões ilegais.

Medida também gera preocupação
Apesar dos resultados apresentados, o bloqueio rápido pode atingir serviços legítimos. O problema é conhecido como overblocking e ocorre quando uma infraestrutura compartilhada por sites legais e ilegais acaba sendo bloqueada. Na Espanha, foram identificados centenas de milhares de domínios afetados durante partidas.
O relatório cita uma análise realizada no primeiro semestre de 2026 que encontrou bloqueios envolvendo cerca de 554 mil domínios durante jogos da LaLiga. Em determinadas situações, poucos endereços IP foram suficientes para tornar uma grande quantidade de sites inacessíveis. O caso reforça o debate sobre os limites da medida.
A tecnologia IPTV permite transmitir televisão e outros conteúdos pela internet e é utilizada normalmente por empresas de telecomunicações. O problema surge quando o sistema oferece canais, filmes ou eventos sem autorização dos detentores dos direitos. Nesse caso, o serviço pode configurar pirataria.









