Uma antiga mina de carvão em As Pontes, na Galícia, passou por uma transformação impressionante após o fim das atividades de mineração. A cratera, que ultrapassava 300 metros de profundidade, foi preenchida com água e deu origem a um dos maiores lagos artificiais da Espanha.
O enchimento começou em 2008 e levou pouco mais de quatro anos para ser concluído. Ao todo, cerca de 547 bilhões de litros de água ocuparam a antiga cava, que atualmente possui aproximadamente 865 hectares. O preenchimento terminou em 18 de abril de 2012.
Mina operou por mais de 60 anos
A exploração de lignito em As Pontes começou na década de 1940 e alterou profundamente a paisagem da região. Ao longo de mais de seis décadas, aproximadamente 260 milhões de toneladas do tipo de carvão foram retiradas do solo. A atividade foi encerrada em 2007.
O fechamento ocorreu em meio ao endurecimento das normas ambientais da União Europeia para reduzir a poluição atmosférica. Com o fim da mineração, começou um amplo projeto de recuperação ambiental. O objetivo era dar uma nova função à enorme área degradada pela exploração.
Transformar a cava em um lago exigiu planejamento para controlar a entrada de água e acompanhar as alterações químicas no terreno. Pesquisadores também monitoraram a qualidade da água durante o processo. Os estudos identificaram mudanças importantes na composição do lago ao longo do enchimento.

Lago possui duas camadas de água
Uma das características mais curiosas está nas profundezas do lago. Pesquisas identificaram duas camadas de água separadas por uma região chamada quimioclina. A parte superior apresenta mais oxigênio e condições próximas às de um lago de água doce.
Nas áreas mais profundas, a concentração de oxigênio é menor e a água apresenta maior acidez. A diferença está relacionada às fontes que abasteceram a antiga cava, além de variações de temperatura e concentração de minerais. Esses fatores dificultam a mistura completa das águas.









