Um assunto que tem gerado debates nas redes sociais durante essa Copa do Mundo são as transmissões, com a CazéTV sendo responsável por tirar o sono da Rede Globo, transmitindo os 104 jogos do Mundial. Entretanto, para quem é fã do canal, surge um problema, pensando no torneio que será disputado daqui quatro anos.
Responsável por quebrar o monopólio da Globo nas transmissões da Copa do Mundo após mais de 20 anos, a CazéTV pode enfrentar dificuldades para garantir os direitos do Mundial de 2030, que será disputado na Espanha, em Portugal e no Marrocos.
Segundo informações reveladas pelo portal Notícias da TV, a FIFA não vê com bons olhos o modelo de negócios da LiveMode — empresa responsável pela CazéTV — por atuar simultaneamente na compra e venda de direitos de transmissão e também por manter relações indiretas com investidores ligados à FFU (Futebol Forte União), uma das ligas do futebol brasileiro.
Durante conversas realizadas nos Estados Unidos, no contexto da atual Copa do Mundo, dirigentes da entidade máxima do futebol teriam demonstrado desconforto com essa estrutura, conforme relatos de fontes envolvidas nas negociações.
A FIFA avalia que existe um possível conflito de interesses entre a FFU, a LiveMode e a própria CazéTV, já que os papéis de detentora de direitos, intermediária e exibidora acabam se cruzando dentro do mesmo ecossistema.

Outra importante questão envolvendo a CBF
Além disso, o cenário político do futebol brasileiro também entra na equação. A CBF lançou um projeto para unificar a liga nacional a partir de 2030, aproximando clubes hoje divididos entre a FFU e a Libra. Nesse contexto, a FIFA tende a alinhar-se à CBF, uma de suas principais filiadas.
As conexões entre LiveMode, a CazéTV e a FFU passam também por fundos como XP Investimentos e General Atlantic. Em 2023, esses investidores lideraram um consórcio que adquiriu parte dos direitos comerciais dos clubes da então Liga Forte União, em um contrato de longo prazo.
Meses depois, os mesmos grupos passaram a investir na LiveMode, ampliando a interligação entre os agentes do mercado. Essa estrutura societária é justamente um dos pontos que mais chama atenção da FIFA, que avalia possíveis restrições para futuras negociações envolvendo a Copa de 2030.
Nos bastidores, uma das hipóteses discutidas seria limitar o papel da LiveMode a apenas uma função no mercado — ou como compradora ou como exibidora de direitos — ou até exigir mudanças societárias para liberar eventuais acordos.
Apesar das críticas, a LiveMode tem papel central na reorganização do mercado brasileiro de direitos esportivos e é responsável pela negociação de grandes contratos recentes do futebol nacional, que ampliaram significativamente as receitas do setor.
A ascensão da CazéTV no cenário global ocorreu após mudanças no modelo de transmissão da FIFA e renegociações com a Globo durante a pandemia, o que abriu espaço para novas plataformas digitais. Desde então, a LiveMode passou a atuar diretamente na venda de jogos para diferentes canais e plataformas.
No Brasil, a CazéTV se consolidou como uma das principais transmissoras digitais de grandes eventos esportivos, alcançando audiências milionárias em partidas da Copa do Mundo e dividindo espaço com emissoras tradicionais, o que marcou uma mudança relevante no mercado de mídia esportiva.









