O mutum-de-Alagoas, ave que desapareceu da natureza há cerca de quatro décadas, está voltando a ocupar áreas florestais do Nordeste. Em abril de 2026, três casais foram levados para uma reserva ambiental no sul de Alagoas, em mais uma etapa do trabalho de recuperação da espécie, que sobreviveu graças à reprodução em cativeiro.
Nativa de áreas de Mata Atlântica entre Alagoas e Pernambuco, a ave foi levada à beira da extinção pela caça e pela destruição de seu habitat, especialmente com a expansão do cultivo de cana-de-açúcar. A população atual descende de apenas cinco indivíduos, o que tornou a reprodução um desafio para os profissionais envolvidos na preservação.
Reprodução controlada permitiu recuperar a espécie
O trabalho exigiu planejamento genético e acompanhamento dos cruzamentos para reduzir os riscos associados à baixa diversidade genética. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), o veterinário Felipe Coutinho, responsável pelo criatório Crax, destacou a importância desse manejo para manter a população viável.
O programa de reintrodução começou a levar exemplares para áreas naturais em 2019. Antes de serem liberadas, as aves passam por um período de adaptação em viveiros, etapa que ajuda na transição para o ambiente silvestre.
A reprodução em cativeiro também continua ampliando o número de animais disponíveis para futuras solturas. Em janeiro de 2026, por exemplo, nasceu um filhote no Zoológico de Belo Horizonte.
Proteção das florestas será decisiva
A iniciativa reúne instituições públicas, pesquisadores e parceiros privados, com participação do MPAL, do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas e de outras organizações. Além de recuperar uma espécie ameaçada, o retorno do mutum pode contribuir para a regeneração florestal, já que aves de grande porte ajudam a dispersar sementes.
O sucesso do projeto, porém, depende da proteção das áreas de soltura contra a caça e o desmatamento. Também será necessário acompanhar os animais e comprovar que conseguem sobreviver e se reproduzir livremente na natureza. Só assim será possível avaliar se a população voltou a se estabelecer em seu habitat original.









