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Diabetes e discriminação racial: pacientes negros têm menos acesso ao exame dos pés do que os brancos, aponta pesquisa

Vivências em ambulatório especializado motivaram pesquisa que evidencia desigualdades raciais no acesso ao cuidado em saúde

14 de Abril de 2026 às 15:06
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. (Crédito: Mapodile M./peopleimages.com (Adobe Stock))

Em 2004, Clarice Nunes Bramante, enfermeira, começou a trabalhar num ambulatório especializado em feridas e pés diabéticos no município de Sorocaba, no qual permaneceria atuando até 2019. Ela atendeu muita gente durante esses anos, mas houve um paciente em especial, em 2006, que marcou sua memória: um homem preto, morador de rua, que chegou ao ambulatório com um dos pés embrulhado numa sacola de supermercado. “Quando cheguei para trabalhar, ele já estava sentado do lado de fora do hospital há horas, aguardando para ser atendido”, ela conta. “Perguntei se ele precisava de alguma coisa e ele, que era diabético, respondeu que só queria trocar o curativo da ferida em seu pé. Pedi para ele entrar e realizei o procedimento. Ele ainda voltou para diversas outras consultas, até a cicatrização da úlcera.”

Aquele homem não era o único a enfrentar problemas desse tipo. Longe disso: na verdade, a quantidade de pessoas entre 20 e 79 anos de idade que vivem com diabetes chegou a 8,8% da população mundial no ano de 2020, o equivalente a mais de 420 milhões de pacientes em todo o planeta. Os dados são da Federação Internacional de Diabetes e são tão alarmantes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já classifica a diabetes como uma doença epidêmica. Para todas essas pessoas acometidas pela doença, complicações nos membros inferiores, como problemas circulatórios, feridas e infecções nos pés, são bastante comuns. O problema — e foi essa a questão que sensibilizou Bramante — é que complicações mais graves (como amputações ou até mesmo a morte) são evitáveis se os pacientes tiverem acesso a serviços de saúde, mas isso não acontece com pacientes diabéticos que se encontram em situação de vulnerabilidade social, como aquele morador de rua que ela atendeu em 2006.

Para ler a íntegra da reportagem, acesse: https://abrir.link/uYKRI 

Texto: Guilherme Profeta