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Uma criança livre e feliz

Nós, adultos, podemos ser livres, mas nunca voltaremos a ser livres como quando éramos crianças
Crédito da foto: Divulgação

Nós, adultos, podemos ser livres, mas nunca voltaremos a ser livres como quando éramos crianças. Já vou explicar por quê. Antes, quero fazer você pensar um pouco.

Todos os dias ouço alguém dizer: “As crianças de hoje não são mais como antigamente, não brincam do mesmo modo, não aproveitam a infância!”

Geralmente essa frase é dita por um adulto mais velho, acompanhada de um suspiro pesado. Pois bem, eu que conheço as infâncias de perto, digo: as crianças não mudaram, elas continuam as mesmas, com sua alegria de viver e espontaneidade únicas.

Quem mudou foi o mundo, o ambiente que abriga as crianças. Mas para os adultos o passado sempre parece melhor e mais bonito que o presente, e isso explica muita coisa. Como diria o Pequeno Príncipe: “Todas as pessoas grandes já foram um dia crianças. Mas poucas se lembram disso.”

É daí que vem a minha ideia de liberdade: só as crianças são verdadeiramente livres. Livres para imaginar, criar, sonhar. Livres de passado, elas vivem o presente com plenitude.

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“Selvagem”, publicado pela Pequena Zahar, fala dessa liberdade, a mais autêntica de todas, que só as crianças possuem. “Ninguém pode domar uma criatura assim tão feliz e selvagem.”

Ela não conhecia nada a não ser as coisas da natureza. Ursos a ensinaram a comer, aves a falar, raposas a brincar. Ela era livre, indomável e sobretudo selvagem.

Isto é, até o dia em que encontrou outros animais estranhamente parecidos com ela, mas que falavam errado, comiam errado, brincavam errado. Então, eles a levaram. Agora, ela vive no conforto da civilização. Mas será que a civilização vai se sentir confortável com ela?

Esse é o primeiro e surpreendente livro de Emily Hughes, cujas ilustrações, cheias de vida e originalidade, nos tiram o fôlego pela riqueza de detalhes e originalidade. Para ler uma, duas, três e dezenas de vezes, sem cansar.

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