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Um ‘passeio real’ pela Inglaterra do passado

Livros, seriados e filmes apresentam os cenários preferidos da nobreza britânica durante séculos
Um ‘passeio real’ pela Inglaterra do passado
Crédito da foto: Divulgação

A Grã-Bretanha tem me feito companhia na quarentena. Estou bem longe de assimilar os modos da coroa, mas me sinto órfã de “The Crown”. Enquanto espero pela próxima temporada da série, me alegrei com o filme “Enola Holmes” e maratonei “Bridgerton” em uma madrugada dessas.

Parece que não sou a única nessa british vibe: 28 dias após o lançamento, em 25 de dezembro, “Bridgerton” alcançou 82 milhões de pessoas, chegou ao primeiro lugar em 83 países, incluindo Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Só no Japão ficou fora dos top 10. A nova temporada deve começar a ser filmada no segundo semestre. Nessa onda, os livros de Julia Quinn estão entre os best-sellers na lista do The New York Times. “The Duke and I” (O Duque e Eu) ocupa a primeira posição e segue no ranking há quatro semanas.

O romance entre Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) e o duque de Hastings (Regé-Jan Page) se passa na regência, no fim do reinado de George III, início do século 19. Pontuada pelas fofocas escritas pela misteriosa Lady Whistledown — cuja voz na série é de (ninguém menos que) Julie Andrews –, a história teve muitas cenas gravadas em Bath, para retratar a Londres da época.

A preservada arquitetura georgiana, com pórticos e colunas, aparece em locações como o Royal Crescent. Construções londrinas, porém, também serviram de cenário. “Bridgerton” costura lugares de várias partes da Inglaterra para recompor o clima da corte e da elite britânica. Muitos espaços são abertos ao público — mas há exceções, caso da Lancaster House, em Londres, que costuma receber visitantes só no festival Open City (open-city.org.uk), em setembro.

Roteiro repleto de palácios, parques e salões de baile

Enquanto a pandemia do novo coronavírus não uma passeio no Reino Unido como manda o figurino, a ficção oferece tramas e paisagens para inspirar futuras viagens.

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A casa dos Bridgerton

Bem-vindo à mansão dos Bridgerton. Ou, pelo menos, à fachada. Quem passar pela Ranger’s House, em Greenwich (Londres), vai reconhecer a casa da família protagonista da série. Na construção de 1723, morou a princesa Augusta, irmã do rei George III. É um dos 400 pontos administrados pelo English Heritage (english-heritage.org.uk) e hoje expõe obras de arte. Botticelli está entre os nomes presentes na The Wernher Collection, com cerca de 700 peças.

A casa dos Featherington

O impressionante Royal Crescent combina 30 casas e colunas na fachada diante do gramado, ao lado do Victoria Park. Concluída em 1775, a construção abriga o luxuoso The Royal Crescent Hotel & Spa (royalcrescent.co.uk) e o museu N.º 1 Royal Crescent (no1royalcrescent.org.uk). O endereço virou a casa dos Featherington, outra família da produção da Netflix. A rua em frente aparece em cenas ao ar livre, como se fosse a Grosvenor Square.

O clube de cavalheiros

Fundado em 1832, The Reform Club (reformclub.com) já teve Winston Churchill entre os sócios. O prédio no centro de Londres, com salões imponentes, não é novato nas telas. Fãs de James Bond devem lembrar de vê-lo em “Um Novo Dia para Morrer” e “Quantum of Solace”. Na série, ali ocorrem os diálogos entre Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey) e o duque no clube.

O palácio da rainha

Henrique VIII morou no Hampton Court Palace, em Richmond, parte do conjunto de Historic Royal Palaces (hrp.org.uk). Em Bridgerton, dá forma ao exterior da residência da rainha Charlotte (Golda Rosheuvel). Já as debutantes são levadas até ela em cenas gravadas na Wilton House (wiltonhouse.co.uk). A construção do século 18, em Salisbury, também foi usada em “The Crown”. O salão e as escadarias da Lancaster House, em Westminster (Londres), também aparecem em tomadas internas.

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O baile de Lady Danbury

Um ‘passeio real’ pela Inglaterra do passado
Paisagens como o Museu Holburne, ponte em Bath, Assembly Rooms e Royal Crescent fazem parte do dia a dia dos “viajantes”. Crédito da foto: Divulgação

Diante do Museu Holburne (holburne.org), em Bath, você vai se lembrar do baile de Lady Danbury. Ele abriga uma coleção com 10 mil peças, entre elas, porcelana e prata. Uma curiosidade: Thomas William Holburne esteve no Brasil no início do século 19 com a Marinha britânica.

Os salões luxuosos

As Assembly Rooms e a sala de banquetes do Guildhall ambientaram bailes na série. Administrados pela Bath’s Historic Venues (bathvenues.co.uk), os espaços são alugados para eventos. As Assembly Rooms podem ser visitadas com hora marcada. No endereço, fica o Museu da Moda.

Baile após o acordo

Esse parque em Buckinghamshire recebeu o baile ao ar livre, em que Daphne e o duque causaram frisson na alta sociedade, dançando após selarem um pacto. O Templo de Vênus aparece ao fundo na cena no Stowe Park (nationaltrust.org.uk/stowe). Representa os londrinos Jardins de Vauxhall Pleasure Gardens.

O parque do piquenique

Primrose Hill na série não fica em Londres, mas em Surrey. Painshill Park (painshill.co.uk) é o cenário dos piqueniques. Exige compra antecipada de ingresso.

O castelo do duque

A casa do duque de Hastings é o Castelo Clyvedon. Para retratar o exterior, foi usado o Castelo Howard (castlehoward.co.uk), perto da cidade de York. A propriedade foi concluída no início do século 19, cem anos após começada. Há tours sobre história — é preciso reservar. O vilarejo que o casal visita na série é Coneysthorpe, em North Yorkshire.

Loja de madame Delacroix

As provas de vestido na loja de madame Delacroix (Kathryn Drysdale) dão alfinetadas ao enredo. A Abbey Deli, antes Pickled Greens, empresta a fachada para a Modiste na série. Fica em Abbey Green, atrás das termas romanas de Bath e de cafeterias como Mrs Potts Chocolate House e Hands Georgian Tearooms.

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Aliás, de tanto tea time na quarentena, aprendi como fazer chá com Stephen Twinings, da renomada marca inglesa de chá. Em 2020, participei de um tour virtual com ele, que toma de 10 a 15 xícaras por dia! A loja de Londres é a primeira casa de chás secos do mundo, aberta em 1717. Hoje, os blends estão em 115 países, mas ela segue como a fornecedora oficial da família real britânica, direito concedido pela rainha Vitória, neta do George III, rei na época da história de Bridgerton.

A atmosfera que inspirou Jane Austen

Ruas de paralelepípedos, spa termal, arquitetura georgiana e natureza do interior inglês. A atmosfera de Bath inspirou Jane Austen, que morou na cidade de 1801 a 1806, a escrever “A Abadia de Northanger” e “Persuasão”.

Agora, a escritora é a motivação para diversas atividades em Bath (visitbath.co.uk), que tem um audioguia gratuito para quem quiser seguir os passos da autora.

O destino organiza ainda o Festival Jane Austen, com passeio em roupa de época pelas ruas do centro. Neste ano, está previsto de 10 a 19 de setembro. Para vivenciar a era georgiana, o Jane Austen Centre oferece a experiência do legítimo chá inglês.

Declarada Patrimônio Mundial da Humanidade em 1987, a cidade foi fundada por romanos, aproveitando fontes locais. O Thermae Bath Spa (thermaebathspa.com), único spa termal natural da Grã-Bretanha, funciona com piscina coberta e outra no rooftop ao ar livre, diante do centro histórico. Fica na Bath Street, uma das mais preservadas e, por isso, muito usada em produções, por exemplo, na filmagem de “Persuasão” para a televisão. (Nathalia Molina – Estadão Conteúdo)

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