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Muitas ‘áfricas’ para conhecer

Muitas ‘áfricas’ para conhecer
Quilombo de Palmares (AL) preserva parte importante da história negra no Brasil. Crédito da foto: Divulgação

Há uma visão errônea de unidade quando se fala do continente africano. O escritor Maurício de Barros Castro conta que sabia dessa pluralidade, mas se surpreendeu com o que encontrou. “Esperava uma África diversa, mas não tinha a dimensão de que seria tanto. Angola, por exemplo, é muito mais ocidentalizada por causa da colonização portuguesa até meados dos anos 1970.” São dele os textos do livro “Do outro lado”, do fotógrafo César Fraga.

“Sempre tive curiosidade de entender de onde vieram meus ancestrais. Da África, aqui só chega problema. A Nigéria é um polo de cinema, produz muito e não vem nada”, afirma Fraga. “O meu papel é trazer referências para o povo negro do Brasil. Quero mostrar toda a riqueza africana.” Para isso, ele prepara mais três projetos: Sankofa (extensão da primeira viagem a mais cincos países), Brasil Negro (registro da maranhense Alcântara à gaúcha Jaguarão) e Somos Todos África (ida a 15 países das Américas que receberam escravizados).

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Com roteiros formatados até 2022, quando prevê dez dias na Nigéria, Bia Moremi trabalha com saídas em grupo na Brafrika. Foca ainda em entretenimento e busca incluir eventos, caso do Afro Nation, festival de música em Portugal. “Fazer uma viagem com recorte de raça não quer dizer que não vai ter foto em frente à Torre Eiffel. Mas o walking tour por Paris vai visitar o Château Rouge, bairro com 90% da população africana. A gente também prefere contratar serviços de empreendedores negros.”

Maceió com o Quilombo dos Palmares, por exemplo, inclui uma caminhada destacando pontos da história negra na capital e almoço de comida afrobrasileira em Palmares.

Mochileira no Brasil de 2017 até a quarentena, Manoela Ramos conheceu quilombolas e foi abrigada por famílias negras. A experiência rendeu dois livros. Devido à repercussão de “Confissões de viajante (Sem grana)”, foi palestrante em eventos de turismo. Mas estranhava que quase não havia negros. Teve, então, a ideia de fazer o 1.º Congresso O Mundo é Nosso, encontro de viajantes negros, com ingresso a R$ 53.

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“Cresci em uma família com consciência racial, mas não tinha noção de como as tradições pretas existem em todos os lugares do País. No Amapá, é marabaixo; no Pará, carimbó; no Rio é jongo. O Brasil tem muita cultura negra e na viagem você vivencia isso.” (Nathalia Molina – Estadão Conteúdo)

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