Turismo

Mendoza: Um roteiro com status de arte na Argentina

Província no centro-oeste da Argentina, a 1.195 quilômetros de Buenos Aires, é destino preferido dos brasileiros
Mendoza: Um roteiro com status de arte
Paisagens do oeste argentino mesclam a neve da Cordilheira dos Andes com longas fileiras de vinhedos, grandes planícies, cânions e vilarejos. Crédito da foto: Divulgação / mendoza.gov.ar

Imagine dias regados por visitas guiadas a adegas e degustações de alguns dos melhores vinhos produzidos na América do Sul. Adicione parrilla, empanadas, alfajores e doce de leite servidos em ótimos restaurantes e tempere com tango, trekkings, piqueniques, cavalgadas, safáris de vinho e hotéis deliciosos, imersos em uma paisagem que mescla a Cordilheira dos Andes, longas fileiras de vinhedos, grandes planícies e vilarejos. Isso sem falar do sol onipresente em 300 dias do ano. Em Mendoza, tudo conspira para viver dias intensos e cheios de sabores.

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A atração que brasileiros sentem pela província no centro-oeste da Argentina, a 1.195 quilômetros de Buenos Aires, é plenamente justificada. Não só pelo câmbio favorável (em média, 10 pesos valem R$ 1), mas também pela distância: são cerca de quatro horas de voo a partir de São Paulo.

Com aproximadamente 115 mil habitantes, a cidade de Mendoza — capital da província de mesmo nome — serve como ponto de partida para visitas às vinícolas. Ela tem atrações próprias — como o bonito Parque General San Martín, com mais de 300 hectares e 17 quilômetros de trilhas –, além de lojas de vinhos, bares e restaurantes convidativos.

A atração mais emblemática é o Aconcágua. O pico mais alto das Américas, com 6.959 metros de altitude, fica ali, em meio à monumentalidade dos Andes, elevando-se com sua beleza serena e picos nevados sobre os vinhedos. O Parque Provincial Aconcágua (aconcagua.mendoza. gov.ar) tem roteiros para vários tipos de turistas — de trilhas simples de duas horas a circuitos voltados a escaladores experientes.

Outros passeios imperdíveis são a Ponte del Inca e o Circuito Cânion del Atuel, no noroeste da província. A 270 km da cidade de Mendoza, o Cânion del Atuel é uma combinação de montanhas, lagos, pequenas ilhas, espessa vegetação e formações geológicas incríveis. No local, as atividades vão desde excursões a esportes de aventura, como rafting, rappel, escalada, tirolesa, trekking e cavalgadas, entre outras.

O começo de tudo

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Puente del Inca fica no noroeste da província de Mendoza. Crédito da foto: Pixabay

Fundada em 1561 por espanhóis comandados por Pedro del Castillo, Mendoza foi recriada após um terremoto que destruiu a cidade em 1861. No fim do século 19, a praga filoxera, que destruiu os vinhedos na Europa, provocou a ida de imigrantes europeus (sobretudo italianos e espanhóis) para a província. Foram eles que impulsionaram o desenvolvimento da incipiente produção vitivinícola que, mais tarde, alavancaria o crescimento da região. Hoje, segundo a Unión Vitivinícola Argentina, Mendoza produz 67% do vinho do país, que é o quinto produtor mundial da bebida.

As principais regiões vinícolas da província têm particularidades. Perto da capital, Luján de Cuyo é uma das mais conhecidas, famosa pelos vinhos com Malbec, a uva francesa que se tornou símbolo da vitivinicultura argentina. Na região de Maipú, além dos vinhedos há uma profusão de pomares e oliveiras. Mais distante, a cerca de 100 quilômetros ao sul da capital, o Valle del Uco também guarda uma produção expressiva de Malbecs.

Há outras uvas, porém. Cabernet Sauvignon, Bonarda, Cabernet Franc, além das brancas Torrontés, Chardonnay, Sauvignon Blanc, entre outras, também têm vez.

Em Mendoza há empresas que fazem tours entre as vinícolas (assim, ninguém precisa deixar de beber para dirigir), como a Wine Safari (winesafari.com.ar). A empresa funciona de forma independente e em parceria com o Cavas Wine Lodge, realizando tours gastronômicos e personalizados. Uma novidade é o wine truck, com bancos estofados, mantinhas e carroceria aberta para ver a paisagem, que leva os turistas de taça em punho por trilhas em meio aos vinhedos.

Com clima sempre seco, a região pode ser visitada durante todo o ano. No inverno, porém, é possível esticar o passeio às estações de esqui localizadas a poucos quilômetros da cidade.

Região tem passeios para todos os gostos

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Sete vinícolas abrem as porteiras para os visitantes. Crédito da foto: Divulgação / mendoza.gov.ar

É possível se hospedar na cidade de Mendoza e explorar os arredores durante o dia. Somente no quesito bodegas — termo argentino para vinícolas — são sete opções para satisfazer aos mais diferentes gostos e bolsos. Todas elas têm pacotes que incluem passeios e degustação. Algumas oferecem também refeições.

As alternativas variam da emblemática Zuccardi, no Valle del Uco, à moderníssima Vistalba, em Agrelo, na região de Luján de Cuyo. As demais são Nieto Senetiner, em Luján de Cuyo; Finca Decero, em Agrelo, com uma vista dos Andes de tirar o fôlego; a intimista Viña Alicia, em Luján de Cuyo, bem próxima à capital; Ojo de Agua, especialista em cultivo orgânico; e Norton, que desde 1865 funciona no mesmo lugar, em Pedriel.

Com clima e solo adequados, Mendoza ainda produz uma boa quantidade de azeitonas para consumo direto ou para a fabricação de azeite. Há passeios específicos para essas propriedades também

Como o portunhol corre solto nas lojas de Mendoza e os preços são tentadores, dificilmente os turistas brasileiros voltam para casa sem um bom estoque de vinhos de qualidade e lembranças para amigos e parentes. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)

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