Turismo

Empresas apostam nos turistas sem pressa para pegar a estrada

Com duração de quatro ou sete dias, os pacotes incluem parte aérea, hospedagem e traslado
Empresas apostam nos turistas sem pressa para pegar a estrada
Porto de Galinhas (foto), João Pessoa, Curitiba e Gramado são alguns dos destinos oferecidos. Crédito da foto: Divulgação / Azul Viagens

A Azul Viagens também aposta no prazo longo para conquistar viajantes com pacotes sem data fixa para o embarque. “Sabemos das dificuldades deste momento e queremos que as pessoas fiquem em casa mesmo. Mas por que não garantir um pacote de viagem para o segundo semestre ou até para daqui a um ano? Desta forma, damos segurança, tranquilidade e flexibilidade”, diz Daniel Bicudo, diretor da operadora oficial da Azul.

Com duração de quatro ou sete dias, os pacotes incluem parte aérea, hospedagem e traslado e custam a partir de R$ 1.557,51 (bit.ly/viagazul). “O Bilhete Viagem contempla duas grandes opções uma para quem prefere praia, outra para quem gosta mais do friozinho”, explica Bicudo. O embarque pode ser de 1º de julho a 15 de dezembro ou entre 20 de janeiro e 30 de abril de 2021 — exceto o período de 9 a 23 de fevereiro. A viagem deve ser marcada 40 dias antes do embarque, ou com uma antecedência de 60 dias, no caso de feriados.

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Entre os destinos, Porto de Galinhas, João Pessoa, Curitiba e Gramado. “Entendemos que o mercado doméstico deve ter um retorno mais rápido e esse produto é uma forma de ajudar a fomentar os destinos nacionais”, afirma o diretor da Azul Viagens.

Destinos que vivem do turismo também têm criado promoções próprias. Famosa pelo patrimônio histórico e pela beleza natural da serra fluminense, Petrópolis criou a ação Petrópolis em Dobro (visitepetropolis.com/dobro). Quem compra uma diária nos hotéis participantes ganha outra. Nos restaurantes, o viajante recebe um adicional no valor pago — o estabelecimento emite um voucher válido até 30 de dezembro.

“Neste momento, precisamos nos preparar para a retomada das atividades, seguindo todos os protocolos e cuidados necessários para que o cliente tenha a percepção de segurança”, diz Samir El Ghaoui, presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PCVB). “Precisamos movimentar o fluxo de caixa de forma a manter a empregabilidade e o funcionamento de restaurantes e hotéis.”

Em Socorro, o setor responde por quase metade da economia da cidade. A queda de faturamento é estimada em 88%. Para garantir o funcionamento de micro e pequenos empresários do segmento, a Associação de Turismo da Estância de Socorro (Astur) lançou a campanha Compre Agora, Viaje Depois (voucherdesconto.socorro.tur.br), com a venda de vouchers com 40% de desconto, tendo 14 de dezembro deste ano como limite para o uso.

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Participam da campanha cerca de 40 negócios, nas áreas de hospedagem, compras e artesanato, gastronomia e atividades de ecoturismo. “Como a tendência pós-epidemia será de um aumento do turismo doméstico, a campanha também mira naqueles que ainda não conhecem a cidade”, diz Ana Luiza Russo, presidente da Astur. São cinco opções de voucher, entre R$ 50 (pagando R$ 30) e R$ 500 (a R$ 300). As compras podem ser divididas em parcelas mínimas de R$ 100. No ar há duas semanas, teve cerca de 40 vouchers vendidos.

“É uma super oportunidade, e o risco não é alto”, acredita Eliz Claro, jornalista e produtora de eventos, que comprou vouchers para hospedagem e restaurante. “Estou programando a viagem para novembro. Se piorar a situação, acredito que eles vão estender o prazo”, diz. “Acho vantajosa a promoção e também a chance de ajudar as cidades que dependem do turismo.”

Segurança

Para Eliseu Alves Waldman, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), as pessoas terão de viajar com a disposição de manter os requisitos de segurança para a saúde. “Terão de levar álcool em gel e usar máscara. Nas viagens aéreas, as companhias terão de pensar em uma solução para manter algum afastamento entre os viajantes”, diz. A quem pega estrada, o professor do Departamento de Epidemiologia recomenda: “O ideal é ir com janela aberta, para não usar o ar-condicionado do carro”. Segundo ele, será preciso que os lugares tenham protocolos de higiene para restaurantes e hotéis. “E é importante que o pessoal cumpra, tanto funcionários como viajantes.”

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É importante que o viajante leve em conta potenciais riscos e os dias de folga disponíveis no futuro antes de fechar negócio, aponta Guilherme de Almeida Prado, fundador do portal de comparação de serviços financeiros Konkero e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). “Se você tem flexibilidade de datas e folga financeira, aí pode ser bem interessante arriscar em determinadas promoções”, afirma. “Fique atento às regras de remarcações.” (Da Redação, com Estadão Conteúdo)

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