Turismo

Comprar agora para viajar depois é bom negócio?

Especialistas avaliam ofertas tentadoras de hotéis e agências para serem aproveitadas quando o coronavírus passar
Comprar agora para viajar depois é bom negócio?
Operadoras, hotéis e cidades turísticas oferecem descontos em vouchers com validade até 2021. Crédito da foto: Divulgação

Entre todos os hábitos, viajar foi o primeiro a ser cortado depois da pandemia do coronavírus. Para garantir recursos para seguir com seus negócios, operadoras, hotéis e cidades turísticas criam promoções e vouchers para o viajante comprar agora e usar depois, em ação parecida à vista entre restaurantes do País. Algumas ofertas são tentadoras. Mas será que valem a pena?

Paulo Márcio Terra Nunes decidiu arriscar. Proprietário de uma franquia de comida japonesa em Minas Gerais, ele usou o mesmo recurso em seu negócio. Assim, decidiu pagar R$ 4 mil no voucher da Vay Agora para ter R$ 5 mil para gastar em passagens no futuro. “Vi como uma oportunidade porque viajo bastante, no Brasil e no exterior. Quando tudo isso acabar, vou querer viajar”, conta o empresário.

“Acho que, do meio do ano em diante, as coisas vão normalizar. Existe uma força de negócios e comércio que não vai ficar parada”, diz Paulo. Mas pondera: “Se não fosse uma empresa conhecida, talvez não comprasse”.

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Com atendimento via WhatsApp desde 2015, a companhia totalmente online ganhou o nome Vay no ano passado, quando investiu em uma mudança tecnológica. Diante das perdas causadas pela pandemia, lançou a campanha #VayDepois, com três tipos de voucher para bilhetes aéreos: R$ 500 (pelo preço de R$ 450), R$ 1.000 (a R$ 850) e R$ 5 mil (por R$ 4 mil). “Tivemos de lidar com uma redução nas vendas de passagens de 50% em março e 95% em abril”, conta Vitor Coutinho, cofundador e diretor de operações da Vay. Os bilhetes podem ser emitidos, no nome do titular ou de outras pessoas, em até dois anos.

Com tempo

O prazo longo é um aspecto importante a ser considerado pelo viajante para ter uma ideia mais clara de como estará a situação do Brasil e do mundo em relação ao novo coronavírus. “Neste momento, é muito difícil fazer qualquer previsão sobre viagens. Mas um prazo de dois anos é mais razoável”, afirma Eliseu Alves Waldman, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

A baiana Débora Silva Souza quer aproveitar o tempo dado pela promoção da Loumar Turismo, operadora especializada em Foz do Iguaçu. Para incentivar a compra de passeios, ingressos de atrações, transporte e hospedagem, os vouchers com preço até 70% menor podem ser pagos em um período máximo de 12 vezes e usados dentro de dois anos. “Estou fazendo fé de ir para Foz em dezembro. Se não der, tenho a segurança de poder marcar para depois”, diz a técnica em contabilidade.

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“Em março, tivemos uma venda normal até o fim da segunda semana. Após isso, a queda foi de 99%”, afirma Marcelo Valente, CEO da empresa. A Loumar começou a divulgar a promoção em 23 de abril e, seis dias depois, já contabilizava 600 contatos interessados. “A maior parte são pessoas interessadas em visitar Foz no próximo semestre ou em 2021”, afirma Valente.

Débora está entre elas: “Estamos num cenário de incerteza, mas creio que vai melhorar. O turismo interno vai voltar, e Foz tem muito passeio que é aberto”. “Iremos nos reinventar. Eu não tenho medo. Vai ser tudo novo, mas ninguém vai poder parar de viver.” (Da Redação, com Estadão Conteúdo)

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