Turismo

Cidades da região de Sorocaba na trilha dos observadores de aves

Iperó, São Miguel Arcanjo e Tapiraí estão entre os melhores lugares do país para a prática do birdwatching
Na trilha dos observadores de aves
Maria-leque-do-sudeste e gavião-de-penacho estão entre as 343 espécies de aves catalogadas na região de Sorocaba por observadores. Crédito da foto: Divulgação

Binóculo, máquina fotográfica, disposição, gosto por aventuras e paixão pela natureza. Estes são os itens indispensáveis na bagagem dos observadores de aves. Porém, a modalidade de turismo que ganha cada vez mais destaque nos roteiros de viagem do mundo inteiro requer amplos espaços com flora e fauna preservadas, estrutura de hospedagem e guias especializados. E é justamente por reunir todas essas condições que a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) e seu entorno se transformaram no paraíso do chamado birdwatching.

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São quase 100 mil hectares de mata atlântica espalhados por Tapiraí, São Miguel Arcanjo e Iperó, além de outros 400 mil hectares em 11 reservas e parques estaduais localizados a menos 150 quilômetros de Sorocaba. O que se pode observar — e fotografar — em todos esses santuários? Nada menos do que 350 espécies de aves, incluindo 110 endêmicas — que só existem na região –, cerca de duas dezenas ameaçadas de extinção e algumas desconhecidas.

Com especialidade em observação de aves, o guia de turismo Giuliano Bernardon opina que a prática é uma atividade relaxante e ao mesmo tempo estimulante. Os adeptos sentem-se como se tivessem com “um álbum de figurinhas que precisasse ser completado com novas espécies”. Esta é também a opinião da empresária Natália Ramos, de Curitiba, que, como turista, já coleciona fotos de mais de 300 espécies de aves de destinos do Brasil e do exterior. “As imagens são apenas o resultado de uma atividade prazerosa, que me coloca em contato com a natureza”, afirma. Além disso, segundo, ela, a modalidade desperta uma consciência ecológica nos viajantes — e o respeito não só pelo meio ambiente, como também pela cultura local.

Pertinho de Sorocaba

Começando o roteiro pelo extremo sul da RMS, praticamente todo o município de Tapiraí se presta ao ecoturismo, mas dois locais foram planejados especialmente para a observação de pássaros, a Trilha do Tucano e o Legado das Águas. O primeiro é uma pousada conhecida de ornitólogos — estudiosos de aves — e fotógrafos profissionais do mundo inteiro desde 2014, enquanto a outra é o projeto mais recente do Grupo Votorantim S.A. Somando os dois catálogos oficiais, os visitantes têm a possibilidade de manter contato visual com 306 variedades.

Na trilha dos observadores de aves
Crédito da foto: Divulgação

Uma das moradoras do lugar é a maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni), quase desaparecida porque só consegue construir ninhos em ambientes preservados e com córregos ou nascentes de água limpa. Também não é preciso ter muita sorte para se deparar com o Araçari-banana (Pteroglossus bailloni), a olho-falso (Hemitriccus diops) ou com a tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis).

Seguindo na direção noroeste, São Miguel Arcanjo também oferece três pontos paradisíacos para o birdwatching, sendo dois deles nas alturas da Serra de Paranapiacaba. O Parque Estadual Carlos Botelho, que dispensa apresentações, e o Parque do Zizo, uma reserva particular de 300 hectares de florestas intocadas que ocultam as nascentes da bacia do rio Assungui. Vale lembrar que o curso d’água deságua no Juquiá e alimenta o Ribeira de Iguape. O terceiro observatório são-miguelense, para surpresa de muitos ecoturistas, fica em ambiente urbano. É o Bosque das Aves, inaugurado há menos de um mês, nas Margens da Lagoa do Guapé, a poucos metros do centro da cidade.

De acordo com os guia profissionais que atual em São Miguel, mais de 250 espécies já foram documentadas no município. Entre as mais exóticas estão o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), o pararu-espelho (Claravis godefrida), o socó-boi-escuro (Tigrisoma fasciatum), o sabiá-cica (Triclaria malachitacea) e o caburé-acanelado (Aegolius harrisii).

Na trilha dos observadores de aves
Crédito da foto: Divulgação

Fechando esse rápido circuito pelas redondezas de Sorocaba, os observadores de aves encontram muito o que fazer na Floresta Nacional de Ipanema (Flona), mais conhecida como Fazenda Ipanema. Localizado entre Iperó, Araçoiaba da Serra e Capela do Alto, é um remanescente florestal com a maior biodiversidade da região do médio vale do rio Tietê.

Apesar do longo histórico de perturbações, a Fazenda Ipanema é o lar de 343 espécies de aves, incluindo caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus vlidus), o jacuaçu (Penelope obscura), o bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis), a cambacica (Coereba flaveola) e algumas não identificadas.

Outros locais

Outros observatórios de aves próximos a Sorocaba estão localizados em Angatuba (Estação Ecológica de Angatuba), Anhembi (Pousada Bacury, antiga Fazenda Barreiro Rico), Floresta Nacional de Capão Bonito, Estação Ecológica de Itaberá, Estação Experimental de Itapetininga, Estação Ecológica de Itapeva, Estação Ecológica de Paranapanema, em Piraju, o Parque Municipal do Dourado, a Fazenda Itereí (Miracatu), o Parque Estadual Intervales (Ribeirão Grande, Guapiara, Iporanga, Eldorado Paulista e Sete Barras) e o Petar (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira), entre Apiaí e Iporanga.

Para quando você for

Para observar aves é necessário caminhar lentamente e em silêncio, usar trajes com cores discretas, evitar movimentos bruscos, respeitar uma distância mínima para que o animal não se sinta ameaçado, usar binóculo, estar acompanhado, de preferência, de um guia de aves e começar pelas aves a sua volta. Uma boa opção para quem deseja se iniciar no birdwatching pode ser associar-se a clubes de observadores de aves. (Da Redação)

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