Turismo

Brasileiro busca viagens individuais e all-inclusive

Pesquisas mostram as tendências para a retomada do turismo
Brasileiro busca viagens individuais e all-inclusive
De acordo com estudos da Travel Consul e da International Air Transport Association (Iata), as pessoas sentem a necessidade de voltar a viajar, porém, optam pelo que garante mais segurança contra a Covid-19, como os destinos livres de aglomerações. Crédito da foto: Divulgação

Viagens individuais e hospedagens com tudo incluído, de preferência em resorts ou em destinos que combinam natureza com ausência de aglomerações. Esse pode ser o caminho em curto prazo para a retomada das atividades turísticas, tanto no Brasil como na maior parte dos países. A tendência vem sendo comprovada por diversas pesquisas recentes sobre o tema. No estudo O impacto da Pandemia nos Negócios do Turismo, desenvolvido pela Travel Consul, operadoras e agências de viagens brasileiras confirmam a opção do público por alternativas que permitam sair de casa com o menor risco possível. Ja a sondagem da International Air Transport Association (Iata) revela a confiança crescente na segurança das viagens aéreas, frustração com as atuais restrições de viagens e aceitação de um aplicativo para gerenciar credenciais de saúde nos deslocamentos.

Realizada entre janeiro e fevereiro deste ano, a terceira edição da pesquisa da Travel Consul com quase 1,3 mil profissionais de turismo, entre operadoras e agências, consultados no Brasil e mais 19 países, chega à conclusão de que as categorias viagem individual (41%), resorts com tudo incluído (39%) e hotéis e resorts (38%) se mantiveram como os produtos mais procurados em 2021.

“Neste caso, a média do Brasil, alinhada com o interesse global, mostra que, para a retomada em curto prazo, grandes grupos não serão fortes em venda. Acredito que hotéis e resorts dão a sensação de segurança”, afirmou Danielle Roman, presidente da Interamerican. “Em sua oferta, os resorts dão uma opção segura para as famílias se reunirem em seus núcleos, mas afastadas, fugindo de aglomerações”, completa Artur Luiz Andrade, editor editor-chefe da publicação especializada “Panrotas”.

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Pacotes oferecidos por resorts simplificam a rotina dos turistas. Crédito da foto: Divulgação

Os analistas também comentaram o baixo interesse em cruzeiros fluviais e marítimos neste primeiro trimestre de 2021. Muito disso, segundo eles, se deve à paralisação quase total no setor no Brasil e no mundo. Porém, eles reforçam que tão logo os cruzeiros voltem aos rios e mares, a procura por este tipo de viagem deve voltar com força. “Os números demonstram uma procura baixa neste início de ano, pois quase não há cruzeiros operando, mas acredito em uma demanda bem reprimida neste segmento. Assim que for possível navegar, os navios terão altíssima procura”, pondera Andrade, acrescentando que “os cruzeiros têm um público muito fiel, que não abre mão de navegar. Em alguns lugares já há um aumento em fluvial, pois são equipamentos nos quais as pessoas se sentem mais seguras”.

Confira abaixo os principais resultados do estudo desenvolvido pela Iata.

É hora de planejar o reinício com segurança

“A prioridade de todos no momento é permanecer seguros em meio à crise do Covid-19”, ressalta Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da International Air Transport Association (Iata). Porém, ele garante que chegou o momento de se mapear uma forma de reabrir fronteiras, gerenciar riscos e permitir que as pessoas continuem com suas vidas. “Isso inclui a liberdade de viajar. Está ficando claro que precisaremos aprender a viver e viajar em um mundo que tem Covid-19”, disse. A opinião de Juniac é reforçada pelo entendimento dos turistas. Conforme o estudo da Iata, 57% esperam viajar dentro de dois meses após a contenção da pandemia. Em setembro do ano passado essa proporção era de 49%.

Além disso, 88% dos entrevistados acreditam que, ao abrir as fronteiras, o equilíbrio certo deve ser alcançado entre a gestão dos riscos do novo coronavírus e o retorno da economia. Outros dados levantados na pesquisa da Iata são bastante reveladores: 85% defendem que os governos devem definir metas Covid-19 (como capacidade de teste ou distribuição de vacinas) para reabrir as fronteiras; 84% acreditam que a doença não desaparecerá, e precisamos gerenciar seus riscos enquanto vivemos e viajamos normalmente; 68% concordam que sua qualidade de vida sofreu com as restrições de viagens; e 49% consideram que as restrições às viagens aéreas foram longe demais.

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Para diretor da Iata, é preciso se adaptar ao mundo com Covid. Crédito da foto: Divulgação / Iata

O relatório da Iata, obtido a partir da opinião dos turistas, ainda aponta que, embora haja apoio público para as restrições de viagens, está ficando claro que as pessoas estão se sentindo mais confortáveis com o gerenciamento dos riscos da Covid-19. A pesquisa revela que as pessoas também se sentem frustradas com a perda da liberdade de viajar, com 68% dos entrevistados indicando que sua qualidade de vida está sofrendo como resultado. As restrições de viagens trazem consequências para a saúde e para as condições sociais e econômicas. Quase 40% dos entrevistados relataram estresse mental e perda de um importante momento humano como resultado de restrições de viagem. E mais de um terço disse que as restrições os impedem de fazer negócios normalmente.

Ventos contrários

Existem alguns ventos contrários nas tendências de viagens. Cerca de 84% dos turistas assumem que não viajarão se envolver quarentena no destino. E ainda há indícios de que a retomada das viagens de negócios levará tempo, com 62% dos entrevistados afirmando que provavelmente viajarão menos a negócios, mesmo após a contenção do vírus. Isso é, no entanto, uma melhoria significativa em relação aos 72% registrados em setembro de 2020.

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“As pessoas querem voltar a viajar. À medida que a capacidade e a tecnologia de teste melhoram e a população vacinada cresce, as condições para a remoção das medidas de quarentena estão sendo criadas. E isso nos aponta novamente para trabalhar com os governos para uma reabertura bem planejada assim que as condições permitirem”, resume de Juniac. (Da Redação)

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