Veículos
China vende menos internamente e acelera exportações
Só no Brasil atuam 16 marcas chinesas com produção local
As vendas de veículos novos na China caíram 25% em julho (sétimo mês consecutivo de queda este ano) e isso tem preocupado a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (ACFA), equivalente à Anfavea. Deixou de ser apenas uma questão interna, pois afeta a concorrência em escala global, conforme lembrou o site Automotive News. Coloca o segundo país mais populoso do mundo (só atrás da Índia) no caminho de registrar pela primeira vez uma retração anual de dois dígitos na comercialização interna de veículos.
Ainda é cedo para prever o que acontecerá nos próximos anos, depois de duas décadas em que o gigante asiático surpreendeu com o crescimento impressionante de sua indústria automobilística. Segundo Fu Bingfeng, da ACFA, esse ritmo superou a capacidade de absorção dos compradores. Estima-se para este ano o total 500 modelos, de 130 marcas, com margens de lucros apertadas demais. Há uma queda de vendas internas prevista de 14% no fechamento deste ano, para menos de 21 milhões de veículos.
Um imposto recente de 5% sobre veículos elétricos e híbridos plugáveis, em lugar de subsídios sem muita transparência, levou a uma queda de 6% de vendas só em julho último. Alternativa foi exportar, com ajuda fundamental do governo, volumes recordes: 5,35 milhões de veículos até o mês passado, um aumento estonteante de 73% que intensificou a concorrência muito além das fronteiras da China.
Só no Brasil atuam agora 16 marcas chinesas com produção local anunciada de pelo menos quatro delas, sem contar GWM e BYD. No entanto, o presidente da Fenabrave, Arcélio dos Santos Jr., lembrou semana passada que "minha preocupação é com quem fica e quem vai embora". Ele lembra que o mercado não cresce na mesma proporção das marcas que desembarcam aqui e quem investiu em novas concessionárias pode sofrer prejuízos. Fabricantes não chineses, alguns há décadas no Brasil, anunciaram R$ 180 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. (Da Redação, com informações de Fernando Calmon)