CARGAS
Neve nos Andes causa prejuízo a transportadoras brasileiras
Segundo o Serviço Nacional de Aduanas do Chile, o local foi responsável pela passagem de 427 mil caminhões no ano passado
Uma das mais importantes passagens rodoviárias internacionais da América do Sul, o Paso de Los Libertadores, que liga Mendoza, na Argentina, a Los Andes, no Chile, permaneceu bloqueada por mais de um mês, gerando prejuízos da ordem de R$ 100 milhões a empresas brasileiras de transporte.
O local, que leva à subida da Cordilheira dos Andes, nos famosos Caracoles — estrada que faz a travessia da cadeia de montanhas —, é a principal rota para a capital chilena, Santiago, e representa uma importante passagem aduaneira no comércio entre os países da região.
Uma nevasca, a maior dos últimos 30 anos, bloqueou a rodovia e o túnel Cristo Redentor no dia 14 de julho, deixando 4 mil caminhões sem passagem dos dois lados da fronteira. Empresários do transporte estimam que cerca de mil caminhões sejam brasileiros.
Rota de exportações
Segundo o Serviço Nacional de Aduanas do Chile, o local foi responsável pela passagem de 427 mil caminhões no ano passado, com a movimentação de 6,5 milhões de toneladas de cargas entre os dois países vizinhos, totalizando US$ 1,7 bilhão em produtos importados de diversas origens.
Não existe uma estatística precisa sobre a participação de caminhões brasileiros nesta conta, mas o Brasil é responsável por uma parcela significativa, com a exportação de carne, produtos agrícolas, alimentos industrializados, autopeças, carros e caminhões.
O Paso de Los Libertadores não é a única rota rodoviária para a entrada no Chile, mas alternativas como Paso de Jama representam acréscimo de R$ 14 mil no custo por caminhão pela distância e pelas dificuldades de terreno.
"O acúmulo de neve é tão grande, o maior dos últimos 30 anos, que as autoridades da Argentina ainda não conseguiram fazer a limpeza das pistas. Do lado chileno, o trabalho foi feito, mas a estimativa para que o fluxo de caminhões volte ao normal é de no mínimo dez dias", afirmou na semana passada Danilo Guedes, vice-presidente de Relações Internacionais da NTC e Logística, associação nacional que representa as transportadoras brasileiras.
Na terça-feira, 18, após 34 dias, houve reabertura parcial, autorizada apenas para caminhões no sentido Argentina-Chile.
Guedes, que é empresário do setor de transportes, considera a situação preocupante. "Estimamos que todos estes caminhões parados representem um prejuízo de R$ 100 milhões a empresas brasileiras, somando custos com diárias de equipes, atrasos em entregas, seguros, mercadorias perecíveis estragadas e avarias nos caminhões", diz.
Segundo ele, há muitos caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil parados nos postos aduaneiros e em pátios em condições precárias. "Nós, empresários, estamos dando apoio e acolhimento aos nossos colaboradores, mas a estrutura não suporta tanta gente. Faltam banheiros e apoio médico aos motoristas e seus acompanhantes."
A NTC e Logística, em nota, informou que acompanha a questão de perto e que está em contato com as autoridades chilenas e argentinas. (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo)