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PERUA ELÉTRICA

De Frankfurt a Sorocaba: piloto revela o que mais chama atenção no Brasil

Piloto busca recordes mundiais e passa pela cidade; já são mais 78 países em 90 mil km de viagem

25 de Julho de 2026 às 19:52
Tom Rocha [email protected]
Rainer Zietlow já passou por dezenas de países, cruzando Europa, Ásia, Oceania, África 
e Américas; ele esteve 
em Sorocaba na 
sexta-feira e seguiria ontem para Santos
Rainer Zietlow já passou por dezenas de países, cruzando Europa, Ásia, Oceania, África e Américas; ele esteve em Sorocaba na sexta-feira e seguiria ontem para Santos (Crédito: FOTOS: Fábio Rogério)

Uma perua elétrica que rodou 78 países esteve na manhã de sexta-feira (24) na praça central de Sorocaba, e seu piloto estava com sede de histórias para contar. Rainer Zietlow, 57 anos, dirige desde os 18. O "piloto mundial", como gosta de se apresentar, pegou gosto pelas viagens de quatro rodas ainda antes dos 20 anos, quando soube que o pai de um amigo vendia Peugeot e Mercedes Benz na África. "Levavam carros para o Saara, para a Nigéria, todos em viagens longas para fazer dinheiro". Rainer acompanhou o pai e o amigo em algumas dessas viagens. E foram nas areias africanas que ele viu seu futuro. "Gostei dessas longas jornadas pelo deserto, e pensei ali que não queria um 'emprego normal', e sim essa vida", conta entusiasmado.

A perua elétrica em questão é um automóvel da Volwswagen, conhecido na Alemanha como IDBus, ID3 e ID4. Toda customizada, tem um detalhe essencial: há um conversor acoplado, o que permite carregar o sistema em apenas 2 horas, em vez de 28 horas. Parceiro de longa data da VW, o piloto já tinha a decisão pela marca consolidada desde o início do projeto, em junho do ano passado: atravessar o mundo com um carro elétrico e bater recordes. Nessa aventura, que já passa de 375 dias, Rainer conseguiu identificar as diversas diferenças no trânsito entre as cidades.

Características brasileiras

Segundo o aventureiro, que já percorreu mais de 90 mil quilômetros em uma viagem iniciada em junho de 2025, as motos brasileiras exigem atenção constante dos motoristas. "Elas aparecem do nada e são muitas. Na China e na Índia também há muitas motocicletas, mas aqui parece não haver orientações claras de circulação para elas", comentou. Outra surpresa foi encontrar caminhões trafegando livremente em praticamente qualquer rua. "Em muitos países isso é restrito por questões de segurança dos pedestres. Só vi isso aqui no Brasil", afirmou. Ele também chamou a atenção para os caminhões com eixos móveis e para a quantidade de pessoas caminhando pelas calçadas.

Apesar das particularidades do trânsito, a experiência brasileira agradou ao piloto. Rainer contou que já havia visitado o país em 2006 e disse continuar impressionado com a gastronomia. O churrasco brasileiro é um dos destaques da viagem. "Nas primeiras vezes eu aceitava carne toda vez que o garçom passava e acabava montando uma torre no prato", brincou. As carnes servidas na Argentina e no Uruguai também estão entre suas preferidas.

Recordes

Os resultados da viagem renderam diversos títulos registrados pelo Guinness World Records, entre eles a volta ao mundo em um carro elétrico e o recorde de condução em maior altitude. Para acompanhar o desempenho do veículo, o piloto recebe suporte técnico da empresa alemã TUV Nord, responsável por equipamentos de homologação e monitoramento utilizados durante toda a jornada. Uma equipe da firma estava assessorando Rainer no momento da entrevista. Rainer é natural de Frankfurt, é casado, tem um filho de 14 anos, que parece ainda não ter desenvolvido a mesma paixão do pai "Ele é a cara da nova geração, fica o tempo inteiro no celular".

Viagens

A expedição começou em 1º de junho de 2025, em Hanôver, na Alemanha. Desde então, Rainer já passou por dezenas de países, cruzando Europa, Ásia, Oceania, África e Américas. O trajeto precisou ser adaptado em alguns trechos devido à falta de infraestrutura para recarga elétrica e a conflitos armados, o que o levou a evitar países como Congo e parte do Oriente Médio. Também deixou de cruzar a região do Himalaia pela ausência de pontos de abastecimento elétrico na rota planejada.

Rainer rodou por dezenas de cidades europeias, até ir para o leste pelo Mar Cáspio. Ele seguiu para o Cazaquistão e passou pela China, Tailândia e alcançou a Austrália. De lá, fez uma longa viagem de navio até o continente africano, onde teve mais dificuldades para encontrar pontos de abastecimento elétrico e receios de conflitos armados — nesta questão, países do Oriente Médio nem entraram no radar da viagem. A jornada seguiu para os Estados Unidos. De Nova York, começou uma trajetória de descida para a América do Sul. Na quinta-feira (23), estava em São Bernardo, e saindo de Sorocaba na sexta-feira, iria para Santos ontem (25), de onde seguiria para o Marrocos.

Rainer não fica muito nas cidades que visita, e calcula que seu tempo de estadia é 50% em hotéis e a outra dentro do próprio carro. Nessa jornada sul-americana, contou com um apoio: o cinegrafista Pedro, que fez o registro de várias imagens das viagens. Rainer saiu de Sorocaba ainda na sexta-feira, sem recarregar — a perua estava com 97,7% da bateria.

 

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