PARCERIA
Após associação com Geely, Renault mira modelos tech
Operação nacional passa a ser a única com a estrutura franco-chinesa no mundo
Há sete meses, a Renault deixou de ter carreira solo no Brasil para se tornar a Renault Geely, com 26,4% da operação controlada pela gigante chinesa. Com isso, a empresa deu dois passos inéditos: a operação nacional passou a ser a única com a estrutura franco-chinesa no mundo e a primeira do País a se associar diretamente a uma montadora da China - um movimento de mercado tão forte que a Stellantis também trouxe a Leapmotor.
Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely, assumiu a posição com o desafio de consolidar a estrutura das duas potências no País. Entre as tantas pontas que precisa amarrar neste processo, ele está determinado a não repetir com a marca chinesa os erros que a Renault cometeu em sua história local. O primeiro deles? Fugir da armadilha de se tornar uma marca generalista, focada apenas em volume de vendas, como o executivo revelou em entrevista exclusiva ao Jornal do Carro.
"A Renault construiu uma presença forte e competitiva no Brasil com uma gama de produtos que foi um sucesso em volume e sucesso de exportação, mas que nos posicionou como uma marca muito tradicional, com pouca inovação", afirma.
Nessa autocrítica, ele entende que faltaram carros mais aspiracionais para complementar a gama dos modelos de alta demanda, como Logan e Sandero.
"Estamos corrigindo isso com uma gama abrangente", diz. Ele dá o exemplo do Kwid, que é "o primeiro carro zero de muitos brasileiros" e, portanto, tem um papel essencial, ainda que seja o modelo mais simples da gama. Para quebrar o estigma de marca de baixo custo, a Renault agora aposta em modelos mais tecnológicos e com maior apelo de design, como os SUVs Boreal e Koleos.
E a estratégia já começou a dar resultados. Montenegro revela que quase 70% dos compradores do Boreal são clientes novos, que nunca tiveram um carro da Renault e foram atraídos pela nova proposta de valor da marca.
Até o fim do ano, a planta paranaense também receberá o compacto EX2. (Da Redação)