ANOS 90
Ford Escort XR3 conversível transformou esportividade em objeto de desejo
Visual elegante e capota retrátil fizeram do modelo um sonho de consumo de uma geração
Muito além de um automóvel esportivo, o Ford Escort XR3 conversível tornou-se um dos maiores símbolos de status da indústria automobilística brasileira. Seu visual elegante, a capota retrátil e o conjunto de equipamentos incomum para a época fizeram do modelo um sonho de consumo de uma geração. Ainda hoje, seu desenho continua despertando atenção em encontros de carros antigos, demonstrando como a identidade visual dos anos 1990 permanece atual e influente.
A segunda geração nacional do Escort, apresentada em 1992, aproximou o modelo brasileiro do padrão europeu da Ford. As linhas arredondadas, a dianteira com grade discreta integrada ao para-choque e o perfil mais limpo acompanharam uma tendência mundial de design que privilegiava formas suaves e aerodinâmicas. O resultado foi um carro que envelheceu bem e que, décadas depois, ainda transmite uma imagem moderna e sofisticada.
As mudanças não ficaram restritas ao visual. Fruto da parceria entre Ford e Volkswagen durante a Autolatina, o XR3 passou a utilizar o conhecido motor AP 2.0 de 116 cavalos, o mesmo que equipava o Gol GTI. O ganho de potência veio acompanhado por uma série de aprimoramentos mecânicos, como novo câmbio, suspensão revisada e freios traseiros a disco, elevando o desempenho do esportivo. Em comparativos realizados na época, o modelo registrou velocidade máxima superior à do Chevrolet Kadett GSi conversível, seu principal concorrente nacional.
No interior, o Escort XR3 também chamava a atenção pelo refinamento. Os bancos esportivos Recaro ofereciam regulagem lombar, enquanto o volante inaugurava entre os veículos nacionais a regulagem de profundidade. Capota eletro-hidráulica, vidros elétricos, alarme, sistema de som com equalizador e acabamento diferenciado reforçavam a proposta de um carro destinado a um público que buscava conforto sem abrir mão da esportividade.
A linha ainda recebeu evoluções nos anos seguintes, como a adoção da injeção eletrônica digital em 1994 e uma série especial comemorativa dos 75 anos da Ford no Brasil. Em 1995, antes de sair de produção, ganhou novas rodas, painel redesenhado, melhorias no acabamento e passou a oferecer também uma versão movida a álcool. O encerramento da fabricação marcou o fim de um dos conversíveis mais emblemáticos produzidos no país, modelo que permanece valorizado por colecionadores e que prova que a ousadia estética dos anos 1990 continua conversando com o gosto contemporâneo.
História
O Escort surgiu na Europa em 1967. A terceira geração, que foi lançada em 1980, marcou a estreia do modelo no Brasil, três anos depois, para substituir o Corcel II, que estava saindo de linha. Eram quatro as versões de acabamento: L (básica), GL (intermediária), Ghia (luxuosa) e XR3 (esportiva).
O motor CHT 1.6 de origem Renault é uma atualização do quatro-cilindros usado pela Ford desde o primeiro Corcel nacional e rende até 73 cv com etanol - no esportivo, graças ao retrabalho de válvulas, a potência é de 83 cv. Em 1987 veio a primeira reestilização. Com o surgimento da Autolatina, união da Ford e Volkswagen, em 1990, o Escort ganhou, nas versões mais caras, opção de motor AP 1.8 de 90 cv usado pela marca alemã. No mesmo ano, veio a versão sedã, batizada de Verona.
A segunda geração do Escort brasileiro chegou no fim de 1992. Foi substituída em 1997 pela derradeira, que tinha versões GL e GLX em configurações hatch, sedã e perua. O modelo saiu de cena em 2003.
Galeria
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