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A história da Peugeot no Brasil

Carros da marca francesa chegaram oficialmente ao Brasil em 1992

28 de Fevereiro de 2026 às 20:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
No início, a intenção era aproveitar um acordo comercial que possibilitava a importação de carros da Argentina e trazer o sedã 505 para o Brasil como o primeiro Peugeot
No início, a intenção era aproveitar um acordo comercial que possibilitava a importação de carros da Argentina e trazer o sedã 505 para o Brasil como o primeiro Peugeot (Crédito: DIVULGAÇÃO)

 

A história da Peugeot está diretamente ligada ao que há de mais avançado em manufatura e mobilidade desde o século XIX. A marca carrega consigo o espírito do tempo, e sua maior tradição é inovar, como diz o comunicado central da empresa em seu site oficial. O tempo passa rápido como um Peugeot e-208 GT, e lá se vão 34 anos que os carros da marca francesa chegaram oficialmente ao Brasil, em 1992. Mas essa história começa pouco antes da reabertura do mercado nacional aos automóveis importados, oficializada em maio de 1990.

Em setembro de 1988, o Grupo Monteiro Aranha assinou um contrato com a Peugeot. O objetivo era aproveitar o acordo comercial que possibilitava a importação de carros da Argentina e trazer o sedã 505. O modelo era produzido em Palomar pela Sevel (parceria local entre Fiat e Peugeot). Mas a fabricante francesa queria mais do que apenas ser representada por um importador.

Em junho de 1990, representantes da marca se reuniram com a equipe econômica do governo Collor. As primeiras conversas já incluíam a construção de uma fábrica nacional, que anos depois tornou-se a unidade de Porto Real (RJ). Enquanto planejava sua expansão na América do Sul, a Peugeot fazia investimentos para tornar suas operações mais sustentáveis. Em março de 1991, a empresa inaugurou, em Lyon, a primeira unidade de reciclagem de materiais construída por uma fabricante de veículos. Vidros, borrachas e plásticos de carros que virariam sucata passaram a ser reaproveitados.

A Peugeot investiu aproximadamente US$ 20 milhões nessa primeira fase. A matriz detinha 70% da operação brasileira, enquanto 30% pertenciam ao sócio, o Grupo Monteiro Aranha. As vendas tiveram início em agosto de 1992. As duas primeiras lojas foram abertas em São Paulo, uma no bairro dos Jardins e outra no centro da cidade. Os anúncios das concessionárias traziam a frase “Dirija-se ao 1º mundo”.

205 SX

O modelo de entrada da marca era o Peugeot 205 SX, equipado com motor 1.4 a gasolina (75 cv). O compacto vinha do Uruguai e chegava ao Brasil com redução de impostos. Também havia um acordo comercial vigente entre os dois países desde os anos 1980. A versão esportiva GTI e o conversível CTI, ambos importados da França, completavam a família de compactos.

Em testes feitos por jornais e revistas especializadas, o 205 GTI partiu do zero e chegou aos 100 km/h em menos de 9s. Não havia nada tão rápido entre os hatches nacionais. A potência de seu motor 1.9 era de 130 cv. E havia um outro modelo de pequeno porte: o simpático 106 XT, que chegava ao Brasil apenas um ano após ser lançado na Europa. Ele também era importado da França, da mesma forma que o carro mais luxuoso da linha: o 605 SV 3.0 V6 (170 cv).

O sedã impressionava com seus 4,72 metros de comprimento. Seu ar-condicionado tinha regulagem automática de temperatura e mostrador digital, enquanto os bancos dianteiros traziam ajustes elétricos e aquecimento. Eram itens raríssimos na época, bem como o teto solar com abertura eletrônica, o computador de bordo e o CD player.

A tradição da marca em colorir o trânsito mundo afora permitiu trazer diferentes combinações de tons até para seu topo de linha. Uma das opções era a carroceria azul topázio com o interior de couro creme. E, claro, havia os modelos da Argentina: além do sedã 505, veio a picape 504. Movida a diesel e com 1.300 quilos de capacidade de carga, foi um sucesso imediato de vendas.

Sedã 405

Mas a grande aposta no início das operações foi o terceiro modelo importado da França: o sedã 405, que havia feito história na Europa ao estabelecer uma pontuação recorde na eleição Car of the Year 1988. Pouco antes da chegada do modelo, a marca levou jornalistas brasileiros para conhecê-lo na região da Borgonha.

A versão esportiva Mi16 foi a que mais chamou a atenção dos convidados. A potência de seu motor 2.0 16V chegava a 160 cv graças a tecnologias como o uso de uma bobina por cilindro no sistema de ignição. Essa solução nasceu nas competições dominadas pela Peugeot, que acumulava vitórias em diferentes campeonatos.

405 T16 Grand Raid

A estreia no Brasil coincidiu com títulos importantes para a marca. Em junho de 1992, a Peugeot conquistou as 24 Horas de Le Mans com os pilotos Derek Warwick, Yannick Dalmas e Mark Blundell, que se alternaram ao volante do protótipo 905. Além disso, veículos da marca venceram o rali Paris-Dakar entre 1987 e 1990. Um dos carros campeões do rali esteve em exibição no primeiro contato da Peugeot com o grande público no Brasil: a 17ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo, em 1992.

O modelo escolhido foi o que garantiu as vitórias de Ari Vatanen em 1989 e 1990 na prova mais difícil do mundo. Era um Peugeot 405 T16 Grand Raid, turbinado tinha cerca de 400 cv! e preparado para o pior. Seu apelido não poderia ser outro: Leão do Deserto. Um ano após a mostra de 1992, a Peugeot já tinha 25 lojas no Brasil e oferecia produtos em todos os segmentos. (Da Redação)

 

 

 

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