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Uniso abre as portas para desfile de moda nesta quinta-feira

"Moda só é superficial para quem vê a moda superficialmente", disse estudante
A estudante Mariana Fabioli buscou inspiração no balé clássico para sua coleção. Crédito da foto: Samuel Bruni

 

Completando um longo ciclo, a Universidade de Sorocaba (Uniso) abrirá as portas na quinta-feira (5) para o 1º Desfile de Conclusão de Curso do programa de graduação em moda da universidade.

Como explica a professora mestra Laura Anacleto, coordenadora do curso, a ocasião do desfile é um brinde a um projeto consistente, desenvolvido ao longo dos quatro anos do bacharelado em moda. “O vestuário, tendo um grande papel social, serve para apresentar os discursos fundamentados que foram pesquisados até então. O desfile em si é como uma apoteose da história a ser narrada”, ela diz.

Engana-se quem pensa, portanto, que o evento é somente uma ocasião festiva. Sendo uma amostra da eficiência dos projetos de pesquisa, o desfile tem como objetivo apresentar por meio das peças finalizadas o resultado da teoria e da prática em moda.

O processo de concepção de uma coleção começa pela pesquisa de referências bibliográficas e de tendências sociais. Antes da confecção em si, são consideradas questões como as melhores aplicações dos tecidos e a ergonomia, por exemplo.

Depois, há a modelagem das peças-piloto e a prova com as modelos, antes de chegar, por fim, à produção de fotos para editoriais, à escolha do local e da trilha sonora dos desfiles e a produção de textos para a imprensa. No dia do evento, o trabalho inclui ainda o backstage, caracterizado pelo trabalho de produção, desde cabelo e maquiagem até a organização da ordem de entrada e da troca de peças.

O professor mestre Flavio Roberto Lotufo, um dos docentes por trás do desfile, explica que, no dia do grande evento, o maior desafio dos estilistas é entender as idiossincrasias de cada coleção. “Os estudantes devem cuidar, inclusive, da postura do modelo diante da roupa. Quando você faz, por exemplo, um desfile de moda jovem, o que a gente chama de streetwear, a postura é mais descontraída; quando você faz um desfile de roupas de festa, a postura do modelo é diferente. Você tem de entender o que é que a roupa está pedindo,” ele explica.

A partir das 19h30, no auditório do bloco F do campus Cidade Universitária, nove estudantes apresentarão cinco looks cada, compreendendo temas bastante diversos. Para os fashionistas de plantão, três foram selecionados para dar um gostinho do que está por vir. Confira:

Feminilidade: tensão entre força e leveza

A coleção apresentada pela estudante Mariana Faioli tem como tema um resgate da feminilidade da mulher por meio do balé clássico, que, segundo a autora, representa a harmonia entre leveza e força.

“Hoje em dia existe um foco muito grande na mulher empoderada, que corre atrás, que é forte, e eu acredito que a mulher seja tudo isso, mas eu quero quebrar esse paradoxo de que o que é forte não pode ser leve. A técnica do balé é uma das mais difíceis do mundo, porque ao mesmo tempo você tem de ser muito forte para concluir os movimentos, mas ser muito leve para não fazer barulho, para que a dança seja fluida”, ela justifica.

Para a estudante, o que as pessoas pensam em geral sobre moda depende da profundidade com que elas escolhem abordar a questão: “A moda só é superficial para quem vê a moda superficialmente. Ao longo da história, a moda refletiu o que a humanidade vivia em diversas épocas.” A moda, para ela, é um espelho da sociedade e a sua coleção, nesse sentido, está inserida num momento de tensão, em que uma nova identidade contemporânea feminina está se formando.

Retorno às expressões tupiniquins

“No meu caso, eu quis abordar a cultura brasileira, pois penso que a moda é muito focada no hemisfério Norte, nos EUA ou na Europa”, conta a estudante Stéfany Vitores de Oliveira. Ela acredita que manifestações culturais de massa não burguesas, como o Carnaval, são demasiadamente marginalizadas, portanto deseja ressaltar, por meio de sua coleção, o valor histórico desse elemento social tipicamente brasileiro.

“Eu acredito que é muito importante que a gente repense a indústria da moda, que hoje é totalmente mercadológica, conferindo-lhe novos significados”, defende a estudante. “As pessoas não se vestem só porque elas precisam; elas se expressam e se comunicam por meio da moda, e é importante que a gente compreenda esse valor social, as questões sociais por trás do ato de se vestir, que pode ser um ato político, ou a expressão de uma manifestação cultural.”

Sustentabilidade

Já Bianca Ferigatto Eles foi motivada pela vontade de mudar a visão das pessoas sobre a moda quando o assunto é sustentabilidade. O objetivo é mostrar que as peças de roupa podem sim ser reaproveitadas várias vezes, sacramentando a ideia de que as roupas não são descartáveis de acordo com as mudanças de estações. Com meio ambiente no cerne da sua concepção, a coleção tem como tema a poluição dos oceanos.

“Eu quero mostrar o quanto é importante cuidar da cadeia de produção de uma peça, da forma mais limpa possível”, ela diz, defendendo que as peças podem ser bonitas e, ao mesmo tempo, sustentáveis tanto ecológica quanto socialmente: duráveis, produzidas por meio de mão de obra legalizada e sem desperdício de recursos.

Para quem deseja conferir essas e outras coleções, a Uniso fica localizada no km 92,5 da Rodovia Raposo Tavares. A entrada para o evento é gratuita e aberta a toda a comunidade. (Camilla de Cássia Miranda, Lucilene Delmiro da Silva, Mainny Rodrigues da Silva e Matheus Rodrigues de Oliveira – Agência Focs/Uniso)

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