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Museu Britânico identifica e devolve ao Iraque placa suméria roubada

A peça, esculpida em pedra calcária, provém de uma placa mural datada de 2.400 a.C.
Museu Britânico identifica e devolve ao Iraque placa suméria roubada
Segundo os investigadores, o estilo particular da placa é típico do sul do Iraque. Crédito da foto: The British Museum / AFP (28/9/2020)

O Museu Britânico ajudou a polícia de Londres a identificar uma placa suméria rara de mais de 4.400 anos de idade roubada no Iraque. Em breve, ela será devolvida ao seu país natal, anunciou a instituição nesta segunda-feira (28).

A Scotland Yard foi atraída pelas origens suspeitas de uma “tabuleta da Ásia Central” colocada em leilão on-line em maio de 2019 e pediu ajuda a especialistas do museu.

Descobriu então que a peça, esculpida em pedra calcária, representando uma grande figura masculina com uma saia típica suméria, na verdade provém de uma placa mural datada de 2.400 a.C.

“Placas como esta são extremamente raras, existem hoje apenas cerca de 50 exemplares”, explicou o museu em um comunicado, celebrando esta descoberta “emocionante e importante”. Todas elas vêm das principais cidades sumérias do Iraque e da Síria, informou.

Segundo os investigadores, o estilo particular da placa é típico do sul do Iraque e as marcas de queimadura corroboram a tese de que provavelmente veio das ruínas de Tello – a antiga cidade suméria de Girsu – onde outras peças com queimaduras semelhantes foram encontradas.

“Esta peça foi retirada ilegalmente do Iraque”, disse o museu, explicando que Tello foi “amplamente saqueada no final do século XIX”, mas também durante a Guerra do Golfo e a Guerra do Iraque em 2003.

“Comprometido com a luta contra o tráfico ilícito”, o museu disse ter tido “o prazer de auxiliar no retorno ao Iraque desse importante objeto”, que, entretanto, será exposto em suas instalações com a concordância das autoridades iraquianas.

O embaixador do Iraque em Londres, Mohammad Jaafar Al-Sadr, elogiou “a cooperação maravilhosa” entre o museu e seu país, acrescentando que “mais peças serão devolvidas em um futuro próximo”.

Desde 2009, o Museu Britânico ajudou a devolver mais de 2.300 antiguidades roubadas, muitas delas para o Iraque, disse a instituição, citando 156 tabuletas de argila com escrita cuneiforme, entre outras.

No entanto, o museu foi criticado por não devolver há muito reivindicados por seus países de origem, incluindo os frisos do Partenon à Grécia.

Por sua vez, o Chile está negociando com a instituição para recuperar, por enquanto sem resultado, o moai Hoa Hakananai’a, de grande valor espiritual para a Ilha de Páscoa, localizada no Pacífico Sul. (AFP)

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