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Da lona para a tela

Pandemia leva Circo-Teatro Guaraciaba a transformar o espetáculo “A Paixão no Circo” em filme longa-metragem
Da lona para a tela
O espetáculo vale-se da metalinguagem para mostrar uma trupe de artistas tentando montar uma peça clássica. Crédito da foto: Divulgação

O espetáculo “A Paixão no Circo”, inicialmente idealizado pelo Circo-Teatro Guaraciaba como peça de teatro, deveria estar a pleno vapor em turnê pelas cidades paulistas mas, por conta do isolamento social, precisou ser readaptado. A solução da trupe sediada na Região Metropolitana de Sorocaba foi transformar o texto em um longa-metragem, que será lançado no YouTube na próxima sexta-feira, 2 de abril — exatamente a Sexta-Feira da Paixão.

Com essa medida a expectativa é de que o público fiel, conquistado nos 74 anos de trajetória do Guaraciaba, possa matar a saudade e ver novamente os atores em ação. E, se não dá para aplaudir, um clique no botão “gostei” já está valendo. “A primeira ideia era filmar o espetáculo, mas eu propus que fizéssemos todo o material na linguagem do cinema”, revela o diretor de cena do filme, Fernando Neves. “Um espetáculo gravado não tem o mesmo impacto. Então, aproveitamos a gravação para revelar os bastidores do circo-teatro: como é a barraca, mostrar que são os próprios artistas que pintam o cenário e costuram as roupas”, explica.

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Com isso, o espetáculo ganhou o objetivo de virar, também, um registro do circo-teatro. E bastou o primeiro dia de gravação para os atores do Guaraciaba e do Coletivo Cê, grupo teatral parceiro no espetáculo, perceberem que seria bem mais intenso do que o esperado. “Para a gente, que é da velha guarda, foi um processo muito difícil”, revela Guaraciaba Malhone, ícone do circo-teatro nacional. “Imagina sair de uma coisa que você fez durante os últimos 70 anos e começar algo completamente novo. Tinha que tomar cuidado com a continuidade, gravar a cena mais de uma vez, esperar parar o barulho externo. Coisas que não existem no circo-teatro”, comenta.

Da lona para a tela
Com isso, abre espaço para mostrar cenas de bastidores e, de quebra, registra o trabalho da velha guarda do circo-teatro, casos de Edimea Rocha e Guaraciaba Malhone. Crédito da foto: Divulgação

Mas não foram apenas os atores que enfrentaram obstáculos. Outros aspectos, que não fazem parte do circo, como fotografia, locação e até mesmo o cuidado extra com a trilha sonora, precisou ser desenvolvido. “Tentamos dinamizar ao máximo para que não ficasse tudo gravado na lona”, explica o ator e diretor de fotografia Julio Mello. “Como a peça é uma metalinguagem, contando a história de artistas que tentavam montar um espetáculo, utilizamos o cenário da peça original quando a cena era sobre o espetáculo no filme. Quando a cena era fora da peça, procuramos fazer de uma forma mais realista, com locação.”

Com tudo isso, para muitos integrantes, mais significativo do que o sucesso é ter um valioso registro dos veteranos colegas em ação. “Isso foi mais importante do que tudo. É uma coisa que vai ficar para sempre, um registro da nossa vida. Até hoje eu vejo os filmes do meu pai”, lembra Guaraciaba.

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Lives de aquecimento

Para entrar no clima do lançamento, os integrantes do Circo-Teatro Guaraciaba e do Coletivo Cê realizarão lives no Facebook da Companhia. Serão seis encontros virtuais para discutir a trajetória do circo teatro. O primeiro deles é hoje, com o tema “Guaraciaba – Trajetória no Circo-Teatro Brasileiro”. Amanhã (28), é a vez de “O Ator Cômico do Circo-Teatro”; na segunda-feira (29), “Encontro de Gerações do Circo-Teatro”; na terça (30), “A Reinvenção do artista Pós-Pandemia”; na quarta (31), “O Melodrama no Circo-Teatro Brasileiro” — o horário é sempre das 20h30 às 21h30. Na quinta, às 20h tem a pré-estreia do filme apenas para os diretores, atores e equipe técnica; e na sexta, também às 20h, finalmente o lançamento de “A Paixão no Circo”. (Da Redação)

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