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Cientistas recriam aparência de denisovanos, primos distantes do homem

O estudo esclareceu 56 diferenças entre o hominídeo de Denisova e o homem moderno
Cientistas recriam aparência de denisovanos, primos distantes do homem
O professor Liran Carmel, da universidade Hebraica, revela a impressão em 3D da face do ser humano pré-histórico. Crédito da foto: Menahem Kahana / AFP (19/9/2019)

Já se sabia qual era a aparência do homem de Neandertal. Agora, graças ao DNA, cientistas israelenses conseguiram dar corpo e rosto a outro de nossos antigos primos, o hominídeo de Denisova, que desapareceu há 50 mil anos.

Dos denisovanos, cujos primeiros restos foram descobertos em 2008, os cientistas conheciam pouca coisa: dentes, pedaços de ossos e um maxilar inferior. Muito pouco para saber como eram.

Cientistas israelenses da universidade Hebraica de Jerusalém, sob a direção do professor Liran Carmel, utilizaram as evoluções dos blocos de DNA encontrados nesses fragmentos. O objetivo foi adivinhar quais genes estavam ativados e reconstruir dessa forma a aparência física de seus primos distantes.

“É muito difícil partir de sequências de DNA para desenhar a anatomia” de seu dono, explicou nesta quinta-feira (19) o professor Carmel, ao apresentar os resultados de suas pesquisas em Jerusalém. “A polícia, em todas as partes do mundo, sonharia extrair DNA de uma cena criminal e poder identificar (fisicamente) um suspeito”, acrescentou.

Novo método

Os cientistas desenvolveram um novo método, “85% confiável”, acrescentou. Assim puderam reconstituir, pela primeira vez e depois de três anos de trabalho, o aspecto geral dos denisovanos, acrescentou. Puderam esclarecer 56 diferenças entre o hominídeo de Denisova e o homem moderno, assim como em relação ao homem de neandertal.

Cientistas recriam aparência de denisovanos, primos distantes do homem
Liran Carmel mostra o detalhe de uma mandíbula. Crédito da foto: Menahem Kahana / AFP (19/9/2019)

O denisovano tinha, por exemplo, uma testa pequena, ao contrário do homem moderno, mas similar à dos neandertais. “Os denisovanos são mais próximos do homem de Neandertal que de nós, pois são mais próximos deles na escala da evolução”, ressalta o professor Carmel.

O cientista espera que esta reconstrução possibilite autentificar crânios descobertos na China há alguns anos. Eles parecem, por seu tamanho e aparência, pertencer aos denisovanos.

Os denisovanos e os neandertais se separaram há entre 400 mil e 500 mil anos, transformando-se em espécies diferentes do gênero Homo. Ao sair da África, os neandertais se dispersaram pela Europa e no oeste da Ásia, enquanto os denisovanos se dirigiram para a Ásia do leste. (Clothilde Mraffko – AFP)

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