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Mas afinal, qual o conceito de Inclusão?

Primeiro passo para se transformar em um agente transformador é entender o conceito desse tema tão abrangente
Mas afinal, qual o conceito de Inclusão?
Inclusão da pessoa com deficiência não, necessariamente, tem a ver com condição social. Crédito da foto: Fábio Rogério (23/9/2019)

Há algumas semanas você, leitor do jornal Cruzeiro do Sul, vem acompanhando uma série de matérias e artigos sobre os assuntos que envolvem a pessoa com deficiência. Dados do IBGE apontam que 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, ou seja: quase um em cada quatro brasileiros.

Mesmo com universo tão grande, ainda é comum encontrar pessoas que não compreendem o conceito de inclusão. E a culpa não é delas! A maioria dos problemas é consequência da falta de informação.

Por isso é tão importante que grandes veículos de comunicação assumam a responsabilidade de abordar estas questões para aqueles que não estão familiarizados com o tema.

Vale explicar que o termo INCLUSÃO é abrangente e pode ser aplicado em diversas situações. Embora seja mais utilizado em sua forma primária, que é a inclusão social, é preciso saber que inclusão da pessoa com deficiência não, necessariamente, tem a ver com a sua CONDIÇÃO social.

A responsabilidade social está em alta, cada vez mais as pessoas (e empresas) focam suas ações (e marketing) em atitudes responsáveis. Mas como fazer isso? As dúvidas são sempre as mesmas.

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Responsabilidade, no caso da pessoa com deficiência, não é apenas assistencialismo. Você já deve ter ouvido alguém dizer: “vamos ajudar o ‘deficiente’, que já enfrenta tantas dificuldades na vida”. Embora a intenção seja boa, o conceito está errado.

A “deficiência” não pode ser o critério definitivo. Afinal, não é por causa “dela” que uma pessoa é rica ou pobre. É um conjunto de fatores (determinados pela condição social) onde a questão da deficiência é mais um elemento que precisa ser superado. E não o fator de definição.

Aqui vale outra observação: o termo “deficiente” é errado. Você nunca deve utilizar. A forma correta é “pessoa com deficiência”. Parece uma observação simples, mas ela é carregada de preconceitos.
É comum ouvir de pessoas que não estão familiarizadas com o tema algumas justificativas para erros de expressão, como: “é só um detalhe, a pessoa precisa entender que eu não conheço o assunto”; “pelo menos eu fiz algo para eles”; “nem todo mundo precisa saber lidar com isso”; e por aí vai.

Tudo isso pode até servir como justificativa, mas se queremos um mundo de fato inclusivo, onde todas as pessoas tenham seus direitos garantidos e, principalmente, sua luta reconhecida e sua dignidade respeitada, precisamos entender o CONCEITO DE INCLUSÃO.

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Claro que você vai criar seus próprios caminhos, definir suas políticas sociais, objetivos e metas. Mas eles devem se apoiar em três pilares, que são importantes: EMPODERAMENTO, DIGNIDADE e INCLUSÃO PLENA.

EMPODERAMENTO: ignora a CONDIÇÃO, foca no POTENCIAL;

DIGNIDADE: ignora a CONDIÇÃO, foca na PESSOA;

INCLUSÃO: ignora a CONDIÇÃO, foca na ATITUDE.

Você deve sempre ignorar a condição (o fato de ser uma pessoa com deficiência) e focar nos objetivos. Um exemplo para comparação é: Benefício da Prestação Continuada (BPC) x Lei de Cotas.
O BPC (uma espécie de aposentadoria para pessoa com deficiência) busca melhores condições de vida através de um benefício contínuo, pensando na condição social, sem promover a inclusão do indivíduo com o meio. Ou seja: melhora a maneira de viver, sem que ele precise sair de casa.

Agora observe a Lei te Cotas: ela busca melhores condições de vida por meio do emprego, considerando o potencial e promovendo a inclusão do indivíduo na sociedade. Ela vai melhorar de vida com o fruto do seu trabalho. Vai sair de casa e ser ativo na comunidade em que vive. Resumindo:

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BPC – Considera o fator social, mas destaca a FRAGILIDADE; melhora a renda, dignificando a CONDIÇÃO; não envolve participação social, NÃO INCLUI.

LEI DE COTAS: Considera o potencial, EMPODERA; melhora a condição, dignificando a PESSOA; estimula a vida em sociedade, portanto INCLUI.

Ambas as ações cumprem os mesmos OBJETIVOS: melhorar a vida das pessoas. Mas fazem isso por caminhos diferentes. Claro que o BPC é importante (além de ser um direito), mas este é apenas um exemplo de como podemos evoluir.

Precisamos mudar de atitude, nos antecipar, sair na frente e deixar de correr atrás das mudanças… Não dá para viver apenas reagindo, é preciso agir. Só assim vamos fazer a diferença e criar projetos inclusivos que sejam verdadeiras referências.

Seja um agente transformador neste grande universo de possibilidades.

*Denis Deli, Jornalista e palestrante especializado na inclusão da pessoa com deficiência.

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