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Maioria dos casos de surdez pode ser prevenida

Quando as perdas auditivas são diagnosticadas precocemente é possível intervir para corrigir a deficiência, alertam especialistas
Maioria dos casos de surdez pode ser prevenida
O “teste da orelhinha” é fundamental para o diagnóstico precoce de surdez. Crédito da foto: Divulgação

O Dia Nacional do Surdo é lembrado nesta quarta-feira (26). A data remete ao aniversário de fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), a primeira escola para deficientes auditivos do país, criada em 1857, no Rio de Janeiro (RJ).

Mesmo após quase dois séculos da primeira escola, a surdez ainda é uma deficiência que gera muitas barreiras. Estima-se que, atualmente, cerca de 10 milhões de pessoas no país possuam algum grau de deficiência auditiva, que varia desde perdas moderadas, até a ausência total de percepção auditiva. O número é do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos casos de perdas auditivas profundas, quando não é feito o tratamento adequado, o desenvolvimento de diversas capacidades cognitivas e da fala ficam comprometidos. Frequentemente estas pessoas aprendem a se comunicar pela Língua Brasileira de Sinais (Libras), o que, embora facilite, por si só não resolve o problema da dificuldade de comunicação, visto que a maioria das pessoas ainda não está preparada para se comunicar através deste meio.

Aparelhos auditivos

Vanessa Gardini, fonoaudióloga da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos de Sorocaba, explica que, quando as perdas auditivas são diagnosticadas precocemente, é possível intervir para corrigir o problema, diminuindo os transtornos provocados pela privação sensorial sonora. “Quando adaptamos aparelhos auditivos logo na primeira infância, a criança não fica sem estímulos sonoros, o que proporciona o desenvolvimento da fala e da comunicação oral”, explica.

Há casos em que o uso de aparelhos auditivos não é capaz de compensar a audição, sendo necessário o implante coclear. “Os implantes cocleares são dispositivos introduzidos cirurgicamente na cóclea, que fica no ouvido interno. São recomendados em casos de surdez profunda. Assim como no uso de aparelhos convencionais, quando mais cedo a adaptação, maiores as chances do desenvolvimento da audição e da fala”, complementa.

Quando a adaptação de aparelhos ou implantes não é feita logo na infância, é muito difícil obter bons resultados. “Isto acontece pois, com a falta de estímulos sonoros, o cérebro não desenvolve a memória auditiva e a área responsável por receptar e interpretar os sons, ou seja, mesmo que seja adaptados acessórios do tipo, a pessoa vai ouvir apenas ruídos, não sendo capaz de distinguir e entender os sons. É como alguém que vê as letras e palavras, mas não compreende o significado pois não aprendeu a ler e escrever. A pessoa ouve mais não consegue interpretar os sons”, afirma a fonoaudióloga, que completa. “Nesses casos, a língua de sinais ainda é a alternativa de comunicação, embora culturalmente a sociedade esteja pouco preparada para entender os gestos e se comunicar com este público”.

Prevenção

A prevenção à surdez congênita se dá com os cuidados durante a gestação. “Muitos casos são provocados por doenças que a mãe contrai durante a gravidez, como a caxumba, sarampo ou rubéola. Tomar as vacinas em dia e fazer o pré-natal corretamente diminuem bastante as chances de ter um bebê com deficiência”, aconselha a fonoaudióloga.

Obrigatório em todo o Brasil desde a publicação da lei federal nº 12.303, em 2010, o “teste da orelhinha” é um exame que diagnostica perda auditiva logo após o nascimento, dando à criança a possibilidade de tratar o problema a tempo de não comprometer o desenvolvimento auditivo e intelectual. “Todas as crianças, ao nascer, precisam fazer o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas. Esta precocidade é o que faz a diferença entre um desenvolvimento praticamente normal ou deficiente”, fala a especialista.

Os cuidados com a audição são importantes durante toda a vida. Não só durante a gravidez. “Precisamos adotar como hábito os cuidados com a audição. Tomar vacinas, tratar e prevenir doenças que podem causar surdez, evitar exposição a sons muito altos, durante festas ou shows, utilizar protetores auriculares no ambiente de trabalho ruidoso, prevenir e controlar doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão. São atitudes simples que diminuem os riscos à saúde auditiva”, conta Vanessa. (Da Redação)

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